Despertou sem sono. Levantou-se, espreguiçou-se. Querida? Mãe? Pai? Ninguém em casa. Nenhuma toalha secando no varal, nenhum café a sua espera. Não havia cachorro no quintal, nem sol, nem luar. Não lembrou do telefone, não viu o interfone. Sentou-se. Passam-se minutos. A respiração não altera, o coração não dispara, a mente não pensa. À sua frente, parede branca. Repleta. Vazia. Solene. Quieta. Nega a palidez, reluz algo que não se vê. À sua volta, toda a sala branca. Chão negro. Cadeira de madeira que ainda respira.
Olhe pra trás. Sim, a luz. Um espelho. Sem moldura. Solto. Leve. Aproxime-se. Venha.
Um grito.
- Bom dia, querido, você está suando, levante logo, você já está atrasado.
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