Desde que me tornei um homem de bem, casei-me com a verdade. Se disser que aboli a mentira, minto. Porém, minto apenas quando a prosopopéia da vida me empurra pra um canto onde a verdade fará inúmeras pessoas, que não eu, chorarem uma verdade que é apenas minha. Se a verdade fizer apenas as minhas lágrimas, não minto. Trago a verdade como prêmio, atrelada ao meu pescoço, porque gosto de sentir os olhos ávidos do ser humano a minha frente, tendo a certeza que da minha boca sairão verdades, e verdades que serão verdades. Me torno mais Homem quando digo a verdade mais doída e mais verdadeira, afinal, nunca serão mentiras. Gosto das verdades, e das mentiras. Mas não das mentiras mentirosas criadas pra alterar do curso verdadeiro da vida, apenas das mentiras que me mantém orgulhoso de mim, a salvo de qualquer alcunha que me distancie do que escolhi pra ser, salvo da minha consciência despótica. Aprecio apenas as mentiras que me mantenham longe da não-felicidade, e de mais mentiras. A verdade existe pra ser a verdade, e ser escarrada a todo e qualquer momento, afinal, a verdade é verdade, e sobre ela não se sobrepõe qualquer sombra. Gosto de pensar que sou um paladino, mas não um cruzado sob uma verdade mentirosa, um paladino leal sobre o mundo das trevas da discórdia que a mentira propicia.
Meu pensamento as vezes é tão, tão, tão... Inconstante. Não sei se é o signo com a lua, a criação, ou o modelo de escravidão, que me fizeram uma criaturinha tão estranha, complexa e tênue. Acho que a palavra pra mim é mesmo tênue. O fragmento acima é um escarro da minha consciência, e imagino que nem todos possam entender. Fico imaginando se alguém conseguirá sair vivo do labirinto deste pensamento demente.
"Esteja ao seu lado ou não, haverá sempre na verdade uma solução".
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