Gosto das conclusões do simples. Não sou tão fã das flores mais raras, de coisas caras ou carros bonitos, embora seja apaixonado pela natureza e goste de conforto. Gosto de olhar o ordinário, ver o que sempre esteve alí de uma forma diferente, significar o que o mundo nos dá de tão, tão, tão extraordinário mas que passa por banal.
A fé é um troço ordinariamente lindo. A fé que sentimos nas nossas forças, em Deus, no outro. Foi essa a fé em Deus que me emocionou hoje. Nem quero escrever em terceira pessoa, fantasiar, significar, nada. Prefiro que a escrita dessa vez seja mais pobre pra evidenciar o relato. O relato de uma pessoa normal falando sobre a sua fé (me arrepio denovo).
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Eu sou um desses sujeitos que se dedica aos projetos de alma, sem polpar esforços, mas tenho que ser honesto suficiente pra assumir o que deixei de ganhar nas escolhas que fiz. Assim são as escolhas: melhor é as fazê-las que evitá-las.
Nesse ensejo assumo que sinto demais por simplesmente não ter tido tempo de conversar o quanto eu queria com as pessoas como eu gostaria. Na ansiedade do futuro tive que evitar o prazer do ordinário, e mesmo que eventualmente tenha deixado isso claro aos que prezo, ainda sim deixei de ter suas presenças pra explorar os seus eus.
Justamente por isso o simples fato de acabar o trabalho e não ter que voltar correndo pra casa pra ir pra algum lugar faz tanta diferença. Sair de um lugar sem a obrigação de fazer nada em seguida, me dando o direito do vácuo, do ócio. Sentir-se entregue à uma conversa que comece mas que não necessariamente precisa acabar em seguida.
Também não dá pra ser injusto e dizer que me arrependo da vida corrida que levava no Brasil, que levei ou eventualmente levo aqui. Voltemos à fé.
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Embora acredite em Deus e leve uma vida considerando-o como minha verdade, Ele pra mim sempre foi um princípio, um norte, uma idéia, uma energia. Pra Ela, entretanto, Ele é presente. Ficamos sentados por algumas horas falando sobre isso. No começo, participei da conversa mais ativamente, mas à medida que entrávamos no assunto, me senti tão confortavelmente pequeno diante de sua experiência com o celeste, que me ative a ouvir atentamente, na esperança que eu mesmo pudesse um dia ter tal experiência. Colombiana, católica e com 32 anos, a garota me contou dos sopros que Deus lhe ofereceu, dos conselhos que recebeu, da presença e do contato com o divino, uau. Incrível. A beleza daquelas palavras e experiências iam tornando-se arrepios, e por aquelas horas me senti aliviado pela nobreza da fé do ordinário.
Tinha que registrar isso do jeito mais cru que pudesse, tentando o máximo não interferir na minha lembrança da conversa de horas, pra que um dia possa re-ler essas palavras e me lembrar daquele momento.
Que Deus possa perdoar o meu ceticismo e acomodação que não me permitem senti-lo e percebê-lo como ele merece.
2 comentários:
Entendo a fé como uma adesão a uma proposta divina. Sendo Deus o Pai de todos, seu paternal amor não se cansa de aproximar-se de seus filhos nas mais variadas formas. Às vezes o percebemos no suave perfume de uma flor, outras - no vermelho ferrugem do entardecer ou no alaranjado sol do amanhecer. Certas vezes Ele nos fala pela boca das crianças ou de algumas pessoas iluminadas. Enquanto estivermos neste em trânsito neste território, entretanto, não o ouviremos ou veremos diretamente porque nos servimos da matéria em nossa comunicação sensorial e Deus não é matéria - é puro Espírito. De toda forma é bonito ver alguém corajosamente expor na contracorrente um sentimento de religiosidade que permite fluir por todos os seus poros...
continuo acompanhando, mesmo que de longe. um abraço apertado para um amigo que permanece no peito.
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