O quê
Nunca na história dos meus blogs escrevi tanto sobre mim como objeto de observação, e isso tem me incomodado um pouquinho. Desde que embarquei nessa aventura quebrei o prisma de observador divagador pra me dedicar à textos que, além de mandar notícias às pessoas queridas de casa, procurou identificar as passagens que vivi como etapas da metamorfósica vida de quem viaja pra fora do país pra aprender a falar outra língua. Seja lá francês, inglês ou alemão, a dor de saudade que corta a carne do nosso corpo de dentro pra fora aflora incontrolavelmente, assim como certas frustrações, transformações e finalmente as conquistas.
Por quê?
Se a vida é feita de ciclos, cada um de nós saímos deles com conquistas e experiências que nos tornam completamente diferente do que éramos, mas é inevitável e seria imaturo alongar uma experiência mais do que ela deveria ser, sem saber pôr pontos onde eles têm que ser postos, concluir reflexões pra que outros possam surgir. É da natureza da vida, não é mesmo?
Com isso não quero dizer que estou arrumando minhas malas pra voltar pra insubstituível Bahia, que estou fechando meu micro-negócio do outro lado do mundo ou que vou sumir dos hemisférios do planeta pra sempre, mas que concluo essa série de textos que venho publicando desde Março de 2009 nesse espaço de confissões que me faz tão bem, por melhor que me sinta dividindo isso com vocês.
Mesmo que venhamos a investir mais cinco anos de nossas vidas por aqui, que eu venha a fazer meu mestrado na terra dos cangurus, ou que simplesmente decidamos voltar pra casa com um excelente inglês ao final de 2010 ou 2011 e com a bagagem repleta de tudo que fizemos e conhecemos por aqui, esses, definitivamente, são outros ciclos.
Saldos, extratos e conclusões
Destino, coincidências ou escolhas, o fato é que o mundo se organizou de um jeito tão desproporcionalmente favorável pra realização dessa minha experiência que a conclusão que chego é que não poderia ter deixado de ter sido. As possibilidades que vejo à minha frente hoje são tão inefáveis que a sensação que tenho é que não poderia conviver muito mais com a contínua poda de asas que sentia em Salvador. Era muita ansiedade, vontade e determinação presas em um ambiente que não me oferecia horizontes. Se aos 22 eu já não concebia continuar vivendo na casa da mamãe, na situação atual qualquer coisa que me ofereça menos liberdade e oportunidades as quais desfruto hoje me parecem inconcebíveis.
Não me tornei nada que já não era, apenas nunca mais me permitirei viver sem as minhas asas. Ah, e como é bom voar.
E agora?
Oxe! O Teatro da Mente retornará ao seu projeto inicial de idéias refletidas pelos meus olhos e eu continuarei sendo o Maucirzinho de sempre, uai! Pretendo continuar publicando passagens isoladas de coisas da minha vida por aqui, mas sem me sentir na obrigação de criar uma ligação que remeta à uma história, voltando à minha característica subjetividade inata.
Um comentário:
Na vida, quando não somos indevidamente podados ou quando nós mesmos não nos podamos subrepticiamente - as coisas que tem que ser serão, cada uma a seu tempo... now it's your time out of Brazil... but never out of the loved Maucir's way of life...
Postar um comentário