05/03/10

Avatar

A lindeza do marketing é o ideal da dinâmica do mercado pra se superar, buscando alternativas, encontrando maneiras, derrubando barreiras, CRIAR. Isso envolve o suprassumo da vanguarda do pensamento, o que, particularmente, mais me seduz. Vamos deixar um pouquinho de lado o simplismo da arte visual, por mais complexa e emocionante que seja, pra olhar além da mostração das melhores bundas do país ou da busca pela provocação das mais avassaladoras gargalhadas.



Sente na sua cadeira de diretor e reclame



Deixando de lado o português exclusivo e trocando em miúdos, tal qual o dito popular, porque não citar um exemplo que está ao alcance de todos indiferente das áreas de interesse? Porque não falar de música e cinema?

Uma das coisas que mais me irrita nesse mundão de business é a dificuldade que os ditos renomados e bem pagos dirigentes enxergam em tudo. A milionária indústria de entretenimento musical, por exemplo, segue toda a vida reclamando de barriga cheia da pirataria de músicas e do tráfico dos sucessos pela internet, cegos às possibilidades de estratégias e idéias que esses mercados praticamente virgens reservam. Já os cinematográficos limitam-se há eras à pequena fatia do povo do mundo que vai às salas de cinema freqüentemente.



Abra sua mente



Foi exatamente isso que todo esse estrondo desse filme cheio de personagens azuis cintilantes falando sobre uma história no futuro e espaço: estamos falando de Avatar. Eu explico.

A indústria cinematográfica tem uma história interessante mas segue um padrão de ciclo de vida de produtos e serviços, ora bolas. Começa como um grande boom lá ainda no início do século vinte, hipnotiza as pessoas, influencia gerações. Aperfeiçoa-se durante décadas, mas sofre tremendamente com a possibilidade e popularização do K7 e dos DVDs. Os motivos são simples: comum entre gregos, troianos, compatriotas e australianos: é muito mais barato fazer uma farra em casa, com os atuais disquinhos - que, vamos ser honestos, não deixam a desejar.

E, acreditem, é um pensamento muito mais comum, inclusive fora desse Brasilzão contado em salários mínimos.



A tecnologia 3D é a re-invenção do cinema enquanto produto e existe há, sem precisar pesquisar muito, pelo menos duas décadas. Alguém pensou nessas alternativas antes de começar a reclamar de DVD e pirataria?

O 3D é justamente o açúcar que faltava às telonas. Não, não me olhem desse jeito ainda. Não me refiro aqui ao % de cidadãos que é simpático ao hábito, mas à maioria dos que não se sentem atraídos a trocar a velha poltrona de casa pelos Shoppings Centers, ou você acha que TODO MUNDO sente falta de freqüentar esses espaços uma vez por semana?



Eu, o 3D e Avatar



Cético, maquiavélico e insensível que sou, o 3D não brilhou tanto aos meus belos olhos castanhos, mas me chamou absurdamente atenção do fato de que o filme mais visto na história do cinema (!!!!!!) trouxe, além da pirotecnia toda do novo, um enredo no qual discutimos a nossa posição enquanto seres humanos em relação ao meio ambiente, o Outro e opções as quais não fizemos na nossa sociedade e que podem nos fazer tão mal.

O que pode ser feito pra sensibilização das pessoas normais sobre temas que normalmente chega até elas apenas no distante mundo dos noticiários? Política governamental, educação e tudo mais são, sem dúvida, as melhores alternativas, mas a arte pode fazer uma bela diferença nessa história.

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