03/01/10

O dia do fico

Meus últimos dois pesadelos ilustram alguns de meus temores mais íntimos, confesso. Neles me vejo impotentemente recluso em uma doma pós-formatura e escassa de oportunidades, privado de ar ainda que sedento de respirar. Em ambos estou de volta ao Brasil. Jovem, disposto, preparado, premiado mas sem chances. Desperto antes até da aurora, percorro o corredor da casa que por direito hoje provenho, chego à varanda à procura de ar fresco. O verde que envolve meus olhos não fala inglês ou português, não tem preconceitos nem me julga, mas comunga e se integra diretamente com a minha alma, como o orvalho que se forma todos os dias bem aqui, ou os pássaros livres e coloridos que exibem-se ao alcance de nossas mãos todos as manhãs à hora do desjejum. Finalmente me tranqüilizo: foi mesmo um pesadelo.

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Pouco mais de nove meses fora do país, estou grávido de um futuro o qual, concluo, simplesmente tinha que ser. Não posso voltar agora, não agora. Não me sinto mais distante do projeto de Brasil, ciência, academia, grandes projetos e cidadania, bem pelo contrário, sinto-o sendo aperfeiçoado pelas experiências e aquisições que serão os próximos anos. É oficial: dedicarei meus próximos 5 anos ao que chamarei de projeto Austrália (2010 – 2014), com o mesmo amor e zelo que imprimi a cada aula dos meus momentos universitários, dos projetos aos quais participei e publiquei, do meu mundo que antecedeu este.
Não posso negar que nunca conseguirei viver a vida em banho-maria, sem os humores da paixão pelo que faço, seja lá o que for, mas confesso que todas as barreiras que encontrei no meu projeto de extrema dedicação à universidade-mercado quase me frustraram o brilho motriz dos meus olhos. A cada salário me sentia apequenado e amedrontado, diante de uma perspectiva à qual temia que fosse real, ao passo que hoje vejo um horizonte exponencial. Mantenho meu desejo de ensinar, formar mentes, integrar grandes organizações, participar de uma revolução dos grandes projetos e ideais, mas sinto que o caminho para tais será acompanhado pela segurança, estrutura e aporte de todo o patrimônio e experiência pode ser conquistado por aqui.

O desejo de ficar aqui mais tempo existe exatamente pelo anseio de viver aí com segurança financeira, e nunca mais na minha vida precisar trabalhar outro dia sequer apenas por conta de dinheiro.
Que venha então o projeto Austrália!

3 comentários:

tarciso disse...

Eu não estou surpreso com essa tua decisão - e eu a apóio por me parecer a mais lógica para esse teu momento existencial. E assim, de quebra, quem sabe, vc me dará o pretexto para uma viagem australiana!!!

Mário Silveira disse...

Torço por você sempre...meu amigo...que você consiga alcançar os seus objetivos e concretizar tais projetos...tenho certeza que terá um futuro glorioso...um abraço
Mário

Izabel disse...

São medos presentes na vida de grandes pessoas, pois o medo é um dos passos para que se tenha coragem para lutar pelo que se pensa, ou seja, pelo futuro o qual se deseja e se planeja. Planejamento é a palavra-chave.
Te digo amigo!
Tenha fé e esperança!!!
Avante!