Ok, eu sou uma pessoa simples.
Embora tenha ambições gigantescas, ainda que almeje espaços adjetivados como megalomaníacos, sou uma pessoa essencialmente simples. Ostentações materiais não me parecem tão saborosas, soando na maioria das vezes como desnecessárias e infrutíferas, principalmente quando temperadas à arrogância.
Certa feita em um jantar pouco distinto, presenciei o momento em que um gerente de marketing de um conceituado restaurante soteropolitano repreendeu um indivíduo por segurar uma taça de vinho de forma pouco elegante e em seguida perdeu-se em um pileque de vinhos caríssimos, passando a proferir expressões rudes em tom de voz alto e sem educação alguma. As roupas, entretanto, eram impecáveis, o perfume notável e o paladar poderia apurar quaisquer variações no padrão de sabor dos vários tipos de queijo à mesa.
Talvez, se aquele fosse um jantar de negócios, do qual eu tivesse que verter um contrato, ou me convencer da importância de intelecto ou de network do sujeito em questão, haveria extração de alguma substância, no entanto, quanto mais trafego pelo baixo clero dos altos escalões empresariais percebo o quanto o poder vai subindo à cabeça das pessoas sem nenhum preparo pra isso: elas vão perdendo o chão palmo a palmo, se masturbando mentalmente na busca de alguma coisa material coisa que sacie o seu vazio interno.
Conhecer bons vinhos, visitar ou ter visitado lugares remotos do planeta, experimentar bons restaurantes, falar idiomas diferenciados, vestir-se e portar-se bem, fazer uso de bom vocabulário, explorar bem a língua. Não estou com isso pregando uma anarquia aos conceitos ocidentais modernos, nem uma revolução moral, muito menos um ode à ignorância generalizada aos prazeres da vida ou ao consumo de itens diferenciados. Só acredito que as pessoas poderiam ser coerentes em suas escolhas, anseios, desejos, e até mesmo saber dosar a necessidade da diferenciação social. Digo: talvez fosse mais interessante demonstrar um pouco mais de conteúdo do que a utilização de estratagemas pouco consistentes.
Já dizia Einstein: "Dê poder a um homem, e veja quem ele é". Gosto de pensar nesta citação quando sou criticado por minha simplicidade: concluo cada vez mais que tenho um espaço bem interessante a ocupar neste mundo.
15 comentários:
Ator da mente... aprecio muito este ser que se tornou imortal pelas suas pesquisas e pela sua língua...
O Coletor está renovado... abraço
Ei, cara. daí, gostou da nova cabana na blogosfera? continue pensando assim sobre os filhos. nada como ter base para poder ter um filho.
abraços.
simples, mas também sumido demais para o meu gosto!
Dê poder a um homem e veja quem ele é... amo esta citação e comoela é verdadeira.
Você não imagina como gosto de visitar seu espaço. Confesso que estou um pouco cansada de conhecer espaços rotineiros, que rimam amor com dor e Jesus com cruz. Pouca criatividade e muita mesmice. Mas há bons espaços na blogosfera e o seu é um deles. Obrigada pela carinhosa visital.
Tenha uma linda noite e paz.
Smack!
Edimar Suely
edi_suely.blig.ig.com.br
A incoerência é inerente à alma humana, mas nós, como nosso político-corretismo, nos privamos de dizer na caras desses incoerentes exagerados o quão ridículos eles nos parecem e aos de bom senso.
Sobre o post anterior:
Cara, há muito tempo que não conheço uma pessoa que se acha tanto, e olha que as pessoas que conheço têm “N” motivos para se acharem. Você deve ter algum complexo para precisar se auto-afirmar e se auto- valorizar desta forma. Mata o REI, ele está consumindo a sua energia. A humildade é a principal manifestação da sabedoria. PARABÉNS PELA MODÉSTIA! Se continuar assim será vítima do seu próprio espelho.
Ass: Antônio Carlos Nascimento
ps: por acaso o título do "texto" é alguma piada?
As vezes, Marcos, confesso: me sinto pequeno demais pra questionar qualuqer coisa com qualquer um. Tenho a impressão qeu os meus conceitos só têm importância pra mim, e que não devo, como você bem disse, devido aos meus políticos-corretismos, tentar mostrar nada a ninguém.
Limito-me a observar e analisar, o que considero mais sábio neste momento.
Mas, sim, vocÊ está correto. Aliás, acho que a sua formação de professor lhe dá muito mais ferramentas e uma percepção muito mais expandida pra isso. É o que eu acho.
Prezado Antônio Carlos Nascimento,
Não farei comentário algum acerca de seu julgamento, pois entendo que este é um movimento histórico que busca a liberdade acima de tudo (inclusive de expressão), e o simples fato da minha literatura estar publicada ao grande público caracteriza a situação como aberta a este tipo de percepção.
Entretanto, devo destacar que, se observar novamente o texto alvo de sua análise, verificará que o mesmo não contém nenhum juízo de valor por minha parte, apenas a transcrição dos fatos nús e crús.
Não estou aqui para o convencer de nada, nem para ganhar a vossa simpatia, afinal, não sou político em vias de eleição, mas, se em algum momento for do seu interesse aprofundar a sua leitura acerca da minha literatura, e até mesmo entender um pouco mais do que falou, proponho que se coloque a ler mais dos textos expostos ao longo dos anos no Teatro da Mente. Esta leitura sim pode te proporcionar uma análise menos simplista.
Grande abraço!
Haha, que interessante, Maucir. Acho que você encontrou um crítico íntimo ou alguém que se feriu com seu sucesso. Pronto, falei do nosso político-corretismo que faz com que evitemos ferir as pessoas dizendo a elas o quão se acham mais importantes que são, que aparece ACN pra te dar uma espinafrada. Liga, não, moço. Ao contrário do que você fez, muito polida e educadamente, eu não pediria que ele lesse mais; pediria que nunca mais me lesse. É o preço que pagamos ao nos expormos. O pobre ACN me parece ser daqueles que não admitem que alguém faça sucesso, isso o fere. O que faz me lembrar Tom Jobim que disse que "no Brasil, sucesso é ofensa pessoal". Os que gostam de você, como eu, estão torcendo que seres como esse não atrapalhem sua trajetória de sucesso, que você demonstra ter muita capacidade e vontade para trilhar.
Se deixarmos, a vida nos ensina a simplicidade. Um beijo e apareça*.*
ah, ciskeci....rs...
Qualé a desse ACN????
Gostaria de fazer uma visita ao blog dele, pra ver se ele é o 'bom'. Pois quem critica, normalmente se acha.
A minha leitura do que vc escreveu não foi a mesma dele.
E ainda que vc ali estivesse se 'elogiando', não veria como falta de humildade, mas sim uma pessoa que se valoriza. Aprendi com o papai que se a gente não se valorizar, ninguém mais o fará. Ele que vá catar coquinho, né?
Vá em frente, cada pedrada dessa, te manda ainda mais pra 'riba'...rs...
Beijossssssss
Hhahahah!
Jéssica, muito bom ler isso. Obrigado pela sua leitura, e também pela do Marcos.
Eu concordo em grau, gênero e número contigo, entretanto, toda leitura que se faz é uma percepção que gosto de analisar com muito cuidado: isso é uma coisa que o marketing me ensinou. As leituras dos "consumidores" têm muita importância, até mesmo quando em minoria merece um viés, por isso a minha posição em relação ao comentário do rapaz.
Sim, eu também gostaria de ler os escritos dele, pra avaliar o crítico da minha escrita, ainda que tenha minhas reservas quanto à percepção dele.
De qualquer sorte, é maravilhoso que você e o Marcos tenham visto as coisas por esta ótica, já que são leitores tão especiais que me acompanham a tanto tempo.
Muito obrigado!
(13) - Fala Maucir, tudo na paz ? Como foi de feriadão? O meu foi 220v, passei na Chapada Diamantina, lindo por demais, recomendo!
Parabéns pelo Blog, sucesso sempre. Então "mãos a obra", para manter sempre em elevado nível esse espaço.
Um abraço,
Daniel Fiterman.
Uma das coisas mais estimulantes para quem escreve é receber um elogio sincero ou talvez mais ainda quando alguém "tão bem relacionado" como esse crítico que caiu de paraquedas desfere suas críticas assim do nada. Se o que leu não fosse importante para ele, certamente se calava. Se falou é porque o que leu incomodou... e isso é sinal de que sua trilha está no rumo certo!
passa la no meu blog
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