Como te chamas? Que fazes? Que idade tens? Donde veio? Como veio, e como irá?
Ponto, interrogação. Este é meu questionário sobre o que quero saber de alguém que, por ventura, venha a conhecer . Nem mais, nem menos. Suficiente. Não quero nem busco uma relação profunda; conveniência, apenas convivência. Basta. Pra que mais?
Está sentindo o que? Está bem? Porquê a lágrima?
Pergunto por educação. Não quero saber. Pergunto para parecer preocupado, simpático, interessante. Se quiser saber dos meus porquês, respondo-te de sopetão, mas não me encha com suas certezas mal-amadas.
Alguém te fez algo? Quem? Por quê? De onde?
Quero saber, me conte. Não estou interessado em ajudar-lhe, mas em saber da tua vida. Quero ter o que falar de ti, o você não me interessa, me interessa quem és, e só.
Vem. Usa meu ombro. Chora. Vou ouvir. Ouvir.
Pronto. Acabou-se. Não me ligue à noite, por mais que eu lhe diga que possa. Não quero deixar de fazer o que estou programado a fazer para prestar-lhe socorro. Até ajudo-te, mas quando estivermos no mesmo lugar, e, no máximo, com pouca coisa a fazer.
Eu? Eu sim. Sou tal de tal. Venho de tal, com tal.
Me ouça. Fale comigo. Olhe o que fizeram à mim. Este sou eu, senhor de tantas importancias, sabedor de tanto, vivido. Todos querem me conhecer, ficar ao meu lado, estar comigo.
Vês o que estou passando? Meu riso tremido, minha lágrima mal-escondida? És cego?
Preciso de alguém para me ajudar. Meu amigo. Meu conselheiro. Como é bom contar com você. Desculpe acordar-lhe ao meio da noite, sei que não te importas, por isso liguei. Obrigado. Como você me faz bem.
Sim! Me fizeram. Me fizeram mal, tocaram onde não deviam ter tocado. Estou machucado.
Está vendo como as pessoas são cruéis, não-atenciosas, frívulas, vazias? Isto me faz mal. Ninguém vê meu mal estar. Pudera, Deus, meu pai, só dá o frio de acordo com o cobertor, e ele sabe que não preciso destas pessoas mesmo. Vou me fechar. As pessoas são mesmo muito estúpidas.
23 comentários:
Procure os textos do dia 17 e 20 de junho no Vertentes de mim e saberá de onde vim e quem sou!
Como já deve saber, estou de posse de outro blog, o Por Todos os Lados. E lá, acabo de escrever o primeiro texto. Convite feito à festa de inaguração. http://portodososlados.blogspot.com
Eu espero que essa sua idéia de que as pessoas são mesquinhas e egoístas, não se aplique a todos aqueles que participam do seu convivio. Ainda existem suas exceções, e amizades verdadeiras onde os telefonemas de madrugada não são ouvidos apenas por curiosidade, mas por amor.
p.s. gostaria de conversar mais sobre isso, no entanto eu fiquei te esperando aqui na terça, lembra?
hum, meu amigo, espero que saiba que quando te ouço é porque gosto de você verdadeiramente, assim como sei que o mesmo acontece comigo.
Será que as pessoas são mesmo muito estúpidas?
Pessoas são um pouco de tudo...são amigas, prestativas, atenciosas, carinhosas...são tbm o oposto de tudo isso. Cada ação uma reação.
Bjos...muitas alegrias.
Ter colegas é bom! Ter amigos é quase um milagre. mas o problema está em nós mesmos... queremos que os outros sejam iguais a nós, quando na realidade cada qual tem seu jeito. Temos que parar de pensar que a nossa felicidade depende de outras pessoas. E tenho certeza que se quiser, temos varias pessoas dispostas a nos ouvir não somente por educação e sim porque se preocupam conosco. (Amém! Quero acreditar em tudo isso... hehe)
Um texto muito bem escrito sobre a (in)comunicabilidade nas relações. Um texto diferente, criativo, mas que fala com precisão da forma como as convivências se procedem num mundo onde as pessoas querem ser escutadas, mas não sabem escutar; querem ser compreendidas, mas não sabem compreender; querem ser amadas, mas não sabem amar. Há uma carência nas relações, de afetividade verdadeira, de genuína preocupação. Mas não podemos generalizar. Ainda existem relacionamentos que se formam na base da ajuda mútua, do carinho, da preocupação com o outro, do compartilhamento não só de alegrias, mas também (e principalmente) de preocupações. Ainda existem (ainda bem!) vínculos pautados nos valores de amizade, de real companheirismo, de sincera afetividade. E quando constatamos essa verdade, há que se pensar que a humanidade ainda tem salvação. Um beijo carinhoso nos votos de um final de semana de muitas alegrias, de lazer saudável, e muito amor a compartilhar.
Se permite, vim reler essa pérola. Não sei se sou precipitado, já que nem me lembro exatamente de todos, mas este deve ser o melhor dos textos que já li, escritos por você.
http://portodososlados.blogspot.com- Por Todos Os Lados.
http://ijdlf.zip.net- Vertentes de Mim
sou boba.. e não vou ouvir nem vou falar. estou triste com o mundo, e com as pessoas. E muito preocupada com vc.
Mas o que é tão interessante pra mim, não faz a menor diferença para as pessoas. Ou pelo menos, para a maioria.
Descobri que muito melhor que receber, é poder dar. Muito melhor que mostrar um sorriso, é ver o outro sorrir também. Hoje, ajudo quem eu posso, sem nenhum pudor. Devo boa parte disso a você e sua mãe.
Olá Maucir! Eu ia tecer um grande comentário sobre o que li mas Mily o fez com tamanha maestria que me contento em dizer que concordo com ela ;)
Um grande abraço e parabéns pelo texto!
Calliope
www.callianteia.blogger.com.br
Maucir - a comunicação pode não ir muito bem, mas ainda existe o verbo, e o ceticismo do teu verbo conjuga uma alma dolorida... esse é o drama dos poetas - eles tem coração e coração não pode ser anestesiado...
Caro Maucir,
suas palavras revelam uma mente sagaz, inquietante, voraz pelo exercício da poesia dos fatos da vida, que irredutíveis a uma folha de papel, deixam apenas vestígios da sua verdadeira essência.
Os relacionamentos na sociedade moderna ou, como prefere Caetano Veloso, os relacionamentos contemporâneos, gozam da característica da impessoalidade estrita, vale dizer: socialize-se sempre, mas misture-se apenas o indispensável. O indivíduo menos como átomo e mais como um (quase)completo organismo. Cada um bastante de per si, malgrado se acolha do ombro vizinho na hora do aperto profundo.
A sua dor, caro amigo, é a dor comum que fere os corações humanos e os transforma em substrato da anti-concretude, isto é, almas vazias, mentes aéreas, torpeza espiritual e, fundamentalmente, relações piegas e intersubjetivamente inócuas.
Entretanto, não obstante tudo o quanto supra-comentado, rogo para que abra os seus horizontes e busque vislumbrar, com a luz da sua sabedoria, a salvação desse mal que assola a humanidade. Amizades verdadeiras ainda existem, o amor não se nega a brotar no coração dos homens.
Fale-me agora sobre a vida que brota no peito de um ser humano, assim como as plantas que resistem a todas as intempéries do sertão nordestino.
Um grande abraço,
TAS!
Gente, vocês que não tem blog, quando forem comentar, não deixem como anênimo, a menos que essa seja a idéia mesmo.
Se forem se identificar, deixem pelomenos um e-mailzinho... Pra a gente poder responder, conversar. As vezes, eu quero perguntar algo, e não posso.
Esse comentário da Ana Flávia mesmo... Poxa... Legal pra caramba.
Nunca estudei roteiro, nem sei como é, apesar de até ter feito alguns durante minha vida.
Tá vendo ai, queria saber o que a Ana Flávia faz, como chegou a essa conclusão, e só poderá ser perguntado isso se ela voltar aqui, e ler o que escrevi...
Dá pra gente saber porque o rapazinho está agindo com a infantilidade própria de quem tem 7 anos?! Se tem alguma coisa pra falar, fale frontalmente... se não tem fique calado como eu. Isso não é falta de caráter porra nenhuma...
Vácuo...(Blog do Tarciso)você leu!
O título cairia muito bem ao seu texto.
Verão é verão e não se discute, mas o melhor calor mesmo é o calor humano.
Abração!
o inferno são os outros, né
Está acontecendo alguma coisa?
Senti vc um pouco seco neste texto, não que ele não seja belo (gostei muito por sinal), mas parece que alguma coisa não vai muito bem.
Qualquer coisa é só me escrever, estarei pronto a atende-lo.
Um grande abraço!
É explicito aqui a incostancia do ser humano e a superficialidade de suas relaçoes, mas, penso eu, ainda existirem seres capazes de semear relaçoes que possam trasmitir uma certa segurança...
Quero dizer-lhe que ja tinha internalizado a mensagem, contudo depois de hoje, daquela interpretaçao fantastica de nossos colegas, ficou muito mais claro pra mim entender os devaneios deste tao raro poeta...
veja só, estou com saudade de voce.
outra coisa, as pessoas só "praticam 'o bem'" porque são egoístas. o que acontece é que umas se sentem mais 'beneficiadas' que outras fazendo tal coisa.
e aí, o que voce me diz?
porque pra falar a verdade eu nao sei o que voce quis dizer, se é que teve tal pretensao, ah, as pessoas sao estupidas mesmo.
abraços
Caro Maucir,
estou ansioso pela sua mais nova obra.
Saudações,
TAS!
Tudo bem que não tem novas postagens. deixo um abraço mesmo assim.
Vertentes de Mim: http://ijdlf.zip.net
Por Todos Os Lados: http://portodososlados.blogspot.com
Se teu espanhol estiver na linha, acessa http://members.fortunecity.com/ceugev/lyrics2/re017.htm
e lê a letra, falando sobre pessoas de plástico.
abraços
Eu queria te questionar, dizer que não é bem assim, que isso não ocorre... Mas infelizmente não está equivocado, muitos de nós, a maioria de nós talvez, agimos assim, com a polidez social necessária, mas nenhuma vontade real de compartilhar com o outro, a não ser que o outro nos vá ouvir. Uma pena... Abraços!
Visite-me em:
http://viagensfilosoficas.blig.ig.com.br
http://vitorialuz.blig.ig.com.br
http://tribuna_livre.blig.ig.com.br
Vim em busca de novos textos, Não encontri, mas deixo um grande abraço de torcedor para que volte logo.
Vertentes de Mim: http://ijdlf.zip.net
Por Todos Os Lados: http://portodososlados.blogspot.com
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