Transito é sempre um assunto complicado.
Matematicamente, a chance de um transito fluir bem, numa avenida, numa grande cidade, deve ser são complicado quanto acertar numa Mega-Sena. Isso porque depende do motor do carro, das condições da pista, da mulher do motorista, da musica que o motorista está ouvindo, da amante do motorista, do possível passageiro, pelos milhares de outros fatores da vida, e tudo isso multiplicado pelos carros dos outros motoristas que estão em volta, pelas mulheres ou esposos dele, pelas(os) amantes deles(as). Eticetra, eticetra, eticetra...
As formas de fazer as coisas é que muda todo o panorama.
Os taxistas e os motoristas de ônibus são as criaturas mais filhos-da-puta que o transito já viu. Comparados apenas aos juizes de futebol nos estádios cheios. Muitas e muitas vezes, a cena se repete. O motorista de ônibus/táxi ocupam a pista como desejam, fazendo qualquer coisa, sem qualquer pudor, pra chegar mais rápido nos seus destinos. O resultado sempre é que eles, ou os outros motoristas, sempre acabam xingando suas respectivas senhoras mães, e tudo mais que puderem.
Algumas vezes, eu, mesmo sem ser motorista de ônibus, ou de táxi, já fiz minhas barberagens. Na maioria das vezes, minha mãe foi sumamente insultada, e minha opção sexual também, mas na verdade mesmo, a única vez que eu realmente tive vergonha, foi quando um sujeito afetado pela minha falta de perícia na condução, levantou seu dedo polegar (me refiro ao polegar, e não ao médio), e balbuciou apenas uma palavra “Valeu”. Sem duvida, um gesto de ironia, mas ainda sim, um gesto que pode mudar um mundo. Sem agressividade, sem ira. Apenas um “Valeu” como sinônimo de um “Obrigado”.
Numa outra situação, todos temos vizinhos.
Meu vizinho é uma benção. Um rapaz com quem adoro conversar. Um jovem em potencial. Mas todas essas qualidades e virtudes tem um sinônimo: barulho.
Quando eu era mais novinho, eu gostava de ouvir música alta. Principalmente no banheiro, enquanto tomava banho. É, definitivamente, uma delícia. Um belo dia, minha vizinha, me interfonou – possivelmente aquele dia seu namorado/esposo/amante não tenha lhe correspondido os sussurros ao pé do ouvido – e então, ela me agrediu da forma mais grosseira possível. Não tiro a razão dela. A moça tem filho, trabalha, e quer a tranqüilidade dela. Ouvi quieto e disse amém.
Meu vizinho gosta de festa, e ultimamente me chamou pra ver seu mais novo presente: Um som daqueles de trio elétrico. Minha desconfiança se cumpriu na noite seguinte. Festa, música eletrônica, pisadas no chão. Eu ouvi, desliguei o meu som que tocava uma MPB de cantores já mortos, e me pus a ver se gostava daquele troço. Quem sabe eu não gostava.
A verdade é que a simpatia com uma pessoa nunca deve se quebrar com agressões. Pelo menos na minha forma de pensar.
Fiquei quieto, não disse nada.
Outro dia, ele ligou o som, e tocava um reggaezinho gostoso do jamaicano já morto. Eu novamente desliguei o meu micro-micro-micro som, e curti a música. Dez minutos depois, ele trocou o ritmo, e eu liguei pra ele: “Amigão, xo te dizer uma coisa. Sou muito mais o reggaezinho do que esse barulho eletrônico ai. Aquilo é que é música”. E pronto, daquele dia pra cá, não tive mais problemas. Além de poder curtir um reggaezinho muito gostoso de vez em quando.
Conclusão:
As pessoas valem ouro.
Correção: A simpatia das pessoas vale ouro.
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