11/06/05

O fantástico mundo dos funcionários

Em Verso...

Greve. Reclamação. Salário mínimo. Mínimo.
Momento histórico.

Por um momento, todos somos petistas.
Consciência fariséia.

Todos sabemos o quanto é freqüente o empregador querer estuprar o empregado.
Cadeia alimentar.

É histórico, nada cristão, e, de fato, fato. O dinheiro faz as pessoas deixarem de serem pessoas.
Comprovado.

Todos achamos que o salário mínimo é mínimo demais pra ser humano.
Convenção.

Se vivêssemos do mínimo, do salário mínimo, da consciência mínima, da vontade mínima, da porra toda mínima, você não teria nem dinheiro, nem intelecto, nem interesse de ler blogs, textos, e idéias dos outros pela Internet.

O acadêmico que se formou com o mínimo de esforço será medíocre.
O político que fizer o mínimo de esforço pra desviar será apanhado.
Quem faz o mínimo pelos outros será tratado por mínimo.
Quem faz apenas o mínimo de esforço pra fazer algo, nunca será reconhecido pelo que fez.
Quem se contenta com a remuneração mínima será sempre mínimo.

O fantástico mundo dos funcionários.
O fantástico mundo dos mínimos.
Eis a saga da mais arcaica cadeia alimentar.


Em Prosa...

Como pensei nisso:
Fazendo minha matricula na universidade, lá estavam quatro mulheres.
Quatro mulheres carrancudas.
Uma no bate-papo, outra fazia nada, outra olhava, e outra me atendia.
Quase ao final do processo, eu lanço uma de minhas perguntas peculiares.
Talvez o ambiente de trabalho de vocês ficasse muito melhor se vocês sorrissem um pouco. Afinal, estão trabalhando. Ânimo, garotas. Talvez até o tempo passasse mais rápido. Tão vindo muitas pessoas aqui, é isso? Muito trabalho?
Talvez a sala vazia denunciasse a quantidade de trabalho que estavam tendo as quatro donzelas, ou talvez a noite tivesse sido ruim com seus maridos/amantes/namorados/concubinos, ou talvez elas estivessem pensando em suas remunerações/esmolas/suplícios/mínimos. Mas, na verdade, nada disso importa.
É por isso que funcionários será sempre funcionário, e o patrão sempre escravizará o funcionário.
É assim que o mundo sempre girará. Cruel.
Eis a cadeia alimentar.
Bem vindos ao fantástico mundo dos funcionários.
Aqui, todo mundo ganha seu ganha pão no fim do mês.
Aqui, todo mundo assina contra-cheque.

Aqui, ninguém tem futuro.

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