01/03/14

Morrer tentando

Me preocupa que sempre ao conhecer novos brasileiros a reação geral seja de espanto ante à minha vontade de voltar pro Brasil.

Me habituei a ser diferente, passei por isso toda a minha vida. Desde a minha mãe, por quem tenho amor profundo, mas com quem tenho poucas semelhanças, colegas de escola, da universidade, àqueles que tinham a minha idade. Entretanto, havia uma variante. Haviam personagens esporádicos, normalmente mais velhos cujas sabedorias eu respeitava, que de alguma forma validavam o que havia de diferente em mim e assim eu me sentia compreendido, aceito, aprovado.

Após 5 anos na Australia, esses personagens quase não existem. Os personagens da minha novela pessoal são pessoas de família, consistentes, responsáveis… uns mais interessantes, outros menos. Mas há um ponto em comum: a falta de idealismo; sobretudo em relação ao nosso país.

Sinto a minha alma sendo perfurada. Nunca me senti tão só. Até a maioria daqueles que vivem no Brasil concordam com os que vivem aqui. “Nunca volte pra casa”; “Vá apenas visitar”; “Aproveite a sua vida”; “Duvido que você voltará”.

Será que o meu credo no Brasil está errado? Será que essa vontade desvairada de fazer parte do nosso país é simplesmente errada?

Viver no paraíso com um padrão de vida fantástico simplesmente não é o suficiente. E aqui eu termino esse desabafo como eu acabo essas conversas que tenho com essas pessoas:


“Se eu não puder ajudar a mudar o Brasil, eu gostaria de morrer tentando”.

3 comentários:

Unknown disse...

Vamos ver o que nos aguarada na nossa patria amada.

Unknown disse...

Vamos ver o que nos aguarada na nossa patria amada.

tarciso disse...

sair ou não sair, voltar ou não voltar - se eu tivesse vinte e poucos eu sairia, mas com certeza também voltaria mais tarde!