À medida que os anos passam, a prudência substitui a inocência; os mesmos olhos antes repletos de idealismo quanto aos outros seres humanos transformam-se olhares desconfiados, preocupados, reticentes.
Por algum motivo do meu próprio destino, minha inocência em relação à meu pai quebrou-se muito cedo, dadas as circunstâncias da vida; ainda era pequenino quando percebi que ele não era o meu herói. Algumas pessoas azedam-se para sempre ante à traumas de infância: eu resisti. Atravessei a infância e adolescencia buscando com todas as minhas forças acreditar nas pessoas, tropeçando na dura realidade de que a maioria dos seres humanos não vive buscando a coerencia de suas palavras ou a honra de seus nomes, mas que o único interesse que atravessa tempestades e secas é o instinto de sobrevivência.
Seja por burrice ou idealismo, mês pós mês, abatia-se uma decepção, o mundo desabava à medida que percebia que pessoas por quem senti enorme admiração, amor, amizade eram na verdade incapazes, aleijados, impossibilitados de amar qualquer coisa às suas voltas com o mesmo apreço e respeito que amavam a sí próprias.
O mundo é um lugar egoísta, e eu só percebi isso agora.
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