Mas todos nós aprendemos: cedo ou tarde. Eu não sou diferente.
À medida que as cicatrizes cicatrizaram, e foi aqui na Austrália, longe das pessoas que mais amo, que tive a epifania que me tornou mais forte em relação aos que me cercam.
Se antes buscava a amizade de todos que estavam à minha volta, aprendi a respeitar a importância da distância que deve permear as relações sociais. Se antes a proximidade das pessoas mais interessantes me parecia o maior trunfo que poderia conquistar, hoje aposto em uma distância que permita conviver com as pessoas, lidar com os seus defeitos com o firme propósito de que as conversas e conselhos estejam sempre na terceira pessoa, e nunca na primeira. Aprendi que para que as pessoas mais interessantes permaneçam interessantes, devemos manter uma distância tal que não nos torne nem reféns da admiração nem entojado pelos defeitos. Aprendi que nas relações sociais, o mais sensato não é a entrega total, completa, mas a compreensão do que o outro busca em você e o que você busca no outro. E mais importante: aprendi que isso não é ser desleal, egoísta, pequeno.
A sensação que tenho é de estar aprendendo a lidar com o mundo, buscando entender como o universo funciona, e, finalmente, me adaptando à ele de uma forma que eu não me machuque tão freqüentemente. Não me sinto, entretanto, aleijando-me da capacidade de aproximar-me além dos limites de alguém, mas ao menos, hoje, descobri que há um limite.
-
A próxima maldição a exorcizar será a da necessidade de reconhecimento. Um dia chego lá.
Nenhum comentário:
Postar um comentário