Vamos encarar os fatos com realidade: aprender outra língua é chato.
Eu mesmo posso fechar os olhos e pensar em um mol de argumentos pra refutar essa fala. Depois de algum tempo o mundo vai lhe ser mais claro, suas oportunidades serão melhores, seus horizontes expandir-se-ão e tudo mais. Mas não estou falando da recompensa.
Sim, eu sinto inveja daqueles que estudaram anos de inglês no Brasil, com aquela paciência budistica das aulas às terças e quintas, segundas e quartas ou sábados. Ah. Isso também é bem verdade.
O ponto é que eu sempre considerei tão excitante tudo que eu fazia que nunca quis ter espaço pra esse aprendizado re-alfabetizante. Ora.... recentemente, quando estava no Brasil, tinha duas atividades profissionais distintas paralelas e ainda a faculdade. Excitação é a palavra certa pra se referir à como gosto de encarar meus desafios profissionais. E quando isso acontece, fica difícil pensar em curso de inglês duas vezes por semana, dever de casa. Quando é que eu iria parar de fazer meus planejamentos e deixar de pensar nas soluções pra aprender verbo to be?
A vida sempre foi muito veloz pra mim, sempre me envolveu demais, e eu não queria parar. E nem estou me referindo à recompensa, nesse caso.
Esse é o mal do empreendedor. A cabeça não pára. Não me dedico apenas a solucionar minhas tarefas, sejam elas trabalhando pros outros ou pra mim: sinto sempre necessidade colossal de criar mais, e mais, embriagando-me completamente nesses processos.
Mas aqui tudo é diferente. Minha vida profissional está pausada. Os anseios de ser e acontecer deste ponto de vista ficaram no Aeroporto Dois de Julho. Aqui eu sou apenas uma criança se re-alfabetizando. Faço dever de casa, perco horas assistindo filmes em inglês, pausando-os para buscar o nexo das falas na menor velocidade, ando pelas ruas dedicado à entender a linguagem própria das propagandas, tenho conversas à toa com velhinhos e crianças apenas pra os conhecer e ouvir seu inglês, ouço as conversas de terceiros no metrô. Sim! Eu realmente posso fazer isso aqui, pois nada de mais excitante tenho pra fazer em lugar nenhum.
Na prática, minha vida no Brasil não me permitia esse tempo. A realidade à qual vim ao mundo sempre foi muito difícil, e eu nunca me esquivei de a enfrentar com todas as minhas forças, o tempo todo.
Ah, claro. Esta minha fala não se dedica a menosprezar os cursos de inglês em solo brazuca, a dedicação que se destina à este aprendizado e o precioso tempo que se usa pra isso. De forma alguma! Bem pelo contrário... se a criança, o jovem ou adulto tem condições de se dar a este luxo, que o faça. Que estude inglês em paralelo à escola, à faculdade, à vida. Vejo o quanto isso é proveitoso para os que o fizeram e agora estão aqui.
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Sinceramente..... não consigo pensar em nada mais sensato que poderia ter feito por mim mesmo. Seja lá o caminho que tome minha vida, por onde ou como seja.
A forma como o inglês está fluindo, as experiências que estou vivendo, as coisas que estou vendo, os novos olhos que ganhei para ver o mundo.
Todo mundo realmente estava certo: eu realmente precisava vir o mais rápido possível.
2 comentários:
Run, Forest, Run!
"Na prática, minha vida no Brasil não me permitia esse tempo. A realidade à qual vim ao mundo sempre foi muito difícil, e eu nunca me esquivei de a enfrentar com todas as minhas forças, o tempo todo."
Ok messias. Quando terminar de fundar sua seita me dá um toque, mas não esquece de chamar umas australianas bem gostosas. E se a responsabilidade que carrega lhe permitir um outro pequeno agrado, fala à essas mesmas autralianas que seu brother aqui precisa fazer alguns testes inocentes com elas.
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