Todos os dias antes do sol se pôr os pássaros se unem em coro para venerar a vida. Uníssonos, produzem um canto singular, o qual só conheci em terras australianas. Em meio à arborizada cidade, movimentam-se em bando de um lado a outro em um movimento absolutamente sincronizado. É absurdamente lindo.
Todos os dias antes do sol se pôr eu paro qualquer coisa que esteja fazendo pra admirar o som que produzem. Me sinto inspirado.
Acostumado com diversas obrigações simultâneas, sufocantes cobranças e prazos, a sensação que tenho é de ter retornado à infância.
A aurora me desperta todas as manhãs sem qualquer intervenção mecânica ou elétrica. Não tenho mais mil coisas a fazer madrugadas a dentro, e cumprir a agenda tornou-se tão simples. A vida mudou completamente em apenas quase duas semanas.
Assim também vivem todos à minha volta, como se o ritmo do mundo fosse esse (e talvez realmente seja): uma existência que eu desconhecia há... há... tanto tempo. Minha infância perdida.
Sim... todos nós fazemos parte de uma estatística, e eu, pra falar a verdade, nunca me senti tão bem em fazer parte dela.
Talvez esses próximos meses em além dos mares brasileiros sirva também pra isso: pra re-viver o jovem que vivia dentro de mim apenas em função de metas, certezas e conquistas.
6 comentários:
Companheiro; no pouco mais rico tempo em que nos conhecmos e sutilmente convivemos passei a admirá-lo ou observá-lo com a atenção de um pai que tem filhos da mesma sua idade ou um pouco mais e que demonstram a mesma vontade de voar. Este amnhacer descompromissado aparentemente nada mais é do que o encontro com o tal Ponto de Equilíbrio.
Felicidades.
Barbosa
Velho acho acho que você deve aproveitar esses momentos de colmaria para reflexões sobre sua vida pessoal e profissional.
Aproveite bastante estes momentos pois els duram pouco....rsrsrsrsrs
Poxa velho Teo, que coincidência! Eu também comecei a produzir um texto no sábado, cujo título é "o que você quer ser quando crescer". Contudo, como bem sabe vossa senhoria, eu sou preguiçoso e estou escrevendo a mão, portanto ele só deve ficar pronto em uma semana, MAIS ou menos.
Sobre o seu momento eu diria o seguinte: os seres humanos possuem uma grande vantagem sobre todos os outros seres da natureza - até que um paleoantropólogo me prove o contrário. Nós sabemos que um dia iremos morrer. Sabemos que a história é construída com as supersposições de gerações. O curioso disso, entretanto, é que os animais, mesmo inconcientes desse envento, parecem aproveitar a vida muito mais do que nós, pessoas conscientes do destino orgânico funesto. Nos preocupamos tanto com o medir do tempo, em criar prazos, que viramos expectadores de um grande relógio que caminha segundo a segundo em direção à inatividade do nosso sistema nervoso. É claro que a visão do pássaro pode parecer, a princípio, um pouco poética, afinal eles acordam e rodam em bandos atrás de comida. A opção pelo gurpo se deve a menos desgastes no vôo, onde há um revesamento entre os membros, bem como a uma maior probabilidade de adquirir comida e ser o último a morrer no caso de predadores.. Enfim, os pássaros também possuem obrigações. Poderíamos então pensar que nós somos muito melhores que os pássaros (vide a nossa organização social e a facilidade em obter provisões), contudo, quantos de nós somos conscientes que fazemos parte de um todo? Quantos arriscariam o "conforto do seu vôo" para que o outro pudesse repousar, atrás, com menos atrito do ar? E por que mesmo após tanto esforço da ciência, a natureza nos parece mais livre e feliz?
Eu acho Baldo, que a liberdade reside no ato de acordar e alçar vôo.
O que realmente me deixa extasiado é que tudo isso está dentro de nós, e só pode ser aberto pelas chaves que nós mesmos temos e que nunca usamos.
Você é nota mil meu querido. Me transporta para onde já estive, transcreve as sensações que já tive e me faz ser mais livre!
Grande abraço!
Alexandre Piza
Manager
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Amigo:
Sou suspeita, pq como sabe leio todas as suas publicações e retorno a elas quando me sinto inquieta.
E assim vivemos, sem ter culpa e sem chorar pelo passado do imperador.
Abraço
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