01/02/09

A vida, a morte e as escolhas

Profissionalmente, sempre me beneficiei de ser pragmático, objetivo e racional. São tantos obstáculos que devem ser superados em cada conquista que sempre me pareceu absurdo criar outros.

Emocionalmente, isso sempre foi um problema.

Quando conheci minha noiva, nunca achei que fosse amá-la, confesso. Diferente que sempre fomos, imaginei que fossemos nos curtir, como jovens e desimpedidos que éramos, e que seguiríamos nossos caminhos. A vida quis diferente.

Quando nos apaixonamos, negligenciei grandes abismos, além de subestimar obstáculos que existiam. Um deles tratava-se de sua profissão: ela era atriz.

Por uma questão de auto-proteção, e um pouco de estupidez, imaginei que nunca iam surgir as cenas de beijo e de sexo que ilustram a arte pós-moderna. Embora a apelação e os recursos fossem algo que sempre soube que existiam, imagino que devo ter preferido, inconscientemente, ocultar esses riscos, ou considerar que não me afetariam tanto.

Hoje sinto este ardor na pele, e não faço idéia de como agir.

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Por outro lado, quanto mais ouço histórias e acompanho casos, mais chego à conclusão de que a indecisão, a hesitação e a irracionalidade são males dos que amam, o que, de alguma forma, me consola, afinal, a morte só pode chegar àqueles que estão vivos.

Um comentário:

Guti disse...

O ofício de emprestar o corpo à arte é, sem dúvidas para mim, uma grande fonte de prazr. É como desenhar um quadro, lapidar pedras, manipular bonecos. É um presente do artista para quem assiste.
Se os atores podem fazer isso para arte - grande doadores - eles são (nós somos) singulares quando amamos. Porque já podemos entregar aos amantes aquilo que é verdadeiro e para quem elegemos merecedores.
Bom mesmo é estar com pessoas que podem se fazer arte. O que mata ao poucos, são aqueles que mentem, traiem sentimentos. Tirando isso, a arte é maior do que tudo isso.