Nos tempos em que o lar não é mais que um dormitório para os cada vez mais acelerados operários do sistema, uma faxina é algo tão banal.
Em uma cultura em que parecer é mais importante do que ser, a gente vive por aí se arrumando e perfumando pra sair, e deixando de estar nas entranhas das nossas questões mais íntimas.
Onde essa superficialidade toda vai parar? Sempre no Shopping?
Eu e minha amante-e-amada temos feito limpezas semanais no lar aos sábados. Armário, banheiro, cozinha, cantos, buracos são todos escovados e lustrados. Em nossa vida média, apartamento médio e receita média me ponho um minuto a pensar: se um dia tivermos, como sugere minha própria ambição, vida, casa e receita grandiosos, e houver de assalto sempre um serviçal para fazer o que nós teríamos que fazer uma vez por semana com a devoção e suor de um qualquer, o que será dos nossos filhos, sem um sábado qualquer de dedicação ao asseio do lar?
Talvez por isso a história seja sempre a mesma: pais dedicados e esforçados, filhos relaxados.
Quando for minha vez de reproduzir, quero lembrar bem da sensação desses sábados.
Assim seja.
Um comentário:
O exemplo é o melhor professor, lembre-se disso após a reprodução.
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