Períodos eleitorais me são particularmente interessantes.
Quando criança, costumava dizer que meu sonho era ser Presidente do Brasil. Meus ideais se assemelhavam muito com os de uma juventude dez anos anterior à minha.
De dois em dois anos, essa chama se acende novamente de uma forma diferente. São ideais adormecidos polidos pelo discernimento em relação à políticas de administração, gestão, prioridades corporativas, funcionabilidades e mais um punhado de coisas.
No alto do idealismo aos 22, as vezes perco hoooooras de sono bolando estratégias pra efetuar grandes realizações políticas: tudo baseado em vontade política e técnica administrativa. Simplesmente exercitando a aplicabilidade da eficiência e realização empresarial em projetos públicos.
Entre as virgulas e apostos desta inconsciência sonolenta, me esbarro no pensamento de que as coisas só não são melhores porque perdem eficácia na vontade política. É uma grande máquina de moer: um candidato é um homem de um partido. Um partido tem seus interesses, e sem o apoio do partido não há candidato. Sem o aporte dos investidores, não há força no partido, que por sua vez não pode parir um candidato competitivo. Issoposto, um indivíduo empossado já deve até as calças à meio mundo de gente.
Minha conclusão sempre é que grandes feitos são possíveis. Com os devidos recortes da realidade, mas com as graças das idéias que nascem para fazer bem às pessoas em geral, e não aos pares.
Logo depois - e este é o momento em que efetivamente adormeço - começo a refletir sobre o motivo pelo qual a minha ambição (que é grande) não me impulsiona à esquemas de corrupção e beneficiamento, isso é: será que os salários de dois dígitos do executivo e a glória do que pode se realizar não é o suficiente para realizar um homem? Será que essa realização se dá a travez de iates, fazendas, gado e ouro?
Acho que não.
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