Virtude ou desvantagem?
Não sei o que pensar sobre a inocência. A minha própria e a que resta no mundo.
Ambivalência e dualidade.
Na inocência vive o romantismo do idealismo, um prisma por onde o mundo parece mais bonito e leve. Não a ignorância, nem a cegueira: a inocência. O fato de cultivar a bondade que há em você, e acreditar que esta virtude também vive nos jardins alheios.
Por outro lado, também é na inocência do ser onde jaz a fraqueza dos que o são: quão fácil é os enganar e trapacear. É na percepção da bondade do outro que a maldade passa despercebida.
Não acredito que os gênios que admiro e em quem me espelho tenham sido astutos, e por isso admiro suas obras e feitos. Por vezes penso que a falta de inocência bloqueia os ideais, sonhos que só se conquistam a longo prazo, porque a esperteza é um dom próprio dos que tem vontade de ganhar a cada instante. Pode parecer uma coisa ruim da forma como expresso, mas também é um grande trunfo, sobre o qual estarreço frente a sua força.
As vezes perco o sono pensando ao pensar nisso. Sinto na pele as conseqüências de cada um dos efeitos desta característica dual. Me perco entre fúria e medo; entusiasmo e admiração no devir enlouquecedor deste sentimento ambivalente.
7 comentários:
A inocência surge do ato de não se pensar sobre as consequências do que se faz. Surge do ato de se fazer algo com a certeza de que não está se fazendo nada demais.
É um impulso que nem sempre está vinculado a idéias românticas. Dar um susto numa pessoa é uma atitude inocente, uma brincadeira inocente. Não imaginar que essa pessoa pode ser cardíaca faz parte da mesma e trágica inocência.
Sob o aspecto biológico, acredito que seja uma desvantagem, visto que nada teve a favorecer na evolução do Homem. É uma fragilidade que só serveria para o tornar menos competitivo com outras espécies.
Sob o aspecto racional, a inocência seria uma espécie de marca de humanidade, o que nos diferente dos "selvagens". Solidários uns aos outros, bons por excelência. Portanto, uma deliciosa e "humanística" vantagem.
De fato, gosto do lado biológico das coisas e todas as pessoas que admiro, ao contrário das suas, pelo visto, não foram/são inocentes... Foram/são simples e geniais - porque a genialidade transcende as convenções - mas nunca inocentes. Aliás, acredito que a maioria das pessoas são menos inocentes do que dizem o serem.
abraço
Os inocentes também têm vontade de ganhar, mas eles não colocam a derrota alheia no caminho de suas vitórias.
O esperto, não sei com certeza, mas me parece estar sempre mais preocupado com isso do que com seus objetivos. O esperto precisa o tempo inteiro mostrar que não é otário, porque é assim que ele divide o mundo: Espertos e Otários.
É uma vida cheia de preocupações, essa vida de esperto.
E uma vida cheia de frustrações, a do inocente. Mas esta eu prefiro.
Primeiro se deve precisar o termo "inocência" como uma postura de rejeição ao mal e não de "ingenuidade". Nesse sentido, rejeitar o mal ou, se preferir, ser inocente é um ato deliberado de vontade, uma virtude que sempre promove o "bem estar" de seu portador e das pessoas ao redor. Entretanto, pode significar renúncias e "prejuízos" porque a atitude verdadeiramente inocente não vitimará ninguém para satisfazer o próprio ego...
Impressionante como cada opinião de vocês ilustra particularidades fortes das personalidades de cada um.
Acredito que a inocência assim como muitas outros caracters humanos. Pode ser medida em escala e os extremos dessa escala são muito raros(se é que existem- a escala seria um segmento de reta ou uma reta? ).
^^ abraço maucio
inocencia de criança, e tenho dito!
Não é escolha sua ser ou não inocente. Você pode tentar não se ingênuo, e tentar não parecer ingênuo, mas isso seria apenas uma fraude. Com os outros e com você mesmo. Minha palavra é: adote a inocência, e se com ela vierem dores e frustrações e desapontamentos, não se iluda. Os que não a tem também sofrem as mesmas dores e frustrações. A diferença é que ao cultivar sua própria inocência você é mais feliz cada dia de sua vida. E quando as decepções vierem, encare elas, lide com elas, se defenda, mas não culpe a sua inocência por isso. A dor faz parte da vida de todos. Não é exclusiva dos inocentes.
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