"As grandes obras são sonhadas pelos gênios, executadas pelos lutadores, desfrutadas pelos felizes e criticadas pelos inúteis irônicos." (Autor desconhecido)
10/11/07
Filhas: feudos com seios
Me perturba a idéia de que as filhas, produção dos mesmos, seja objeto de relação feudal, na qual não cabe dialogo, troca de idéias: há uma relação de objeto. Eu pago suas contas, eu lhe hospedo em minha propriedade há x anos, portanto, me respeite, afinal, você me deve respeito.
Uma relação de poder muito pouco nutritiva.
É claro pra mim que há outros modelos em vigência na atual conjuntura, e que boa parte de minhas leitoras talvez não se identifique com o modelo. Nos concentremos no modelo em questão.
Está claro e é explicável para mim que a produção dos pais esteja cercada de mimos, carinhos, afétuos, e reforçada pela relação de anos em que o objeto lhe teve atenção máxima. Isso é, até a pre-adolescencia, as filhas, ou os feudos, vivem absolutamente para os pais. A quebra do complexo de Elektra e a maturidade juvenil apresenta as filhas a um mundo no qual elas viverão durante o resto da vida.
Os pais, por sua vez, ao invés de perceberem a modificação, e tenderem a um processo de diálogo no qual haveria todo um incremento/crescimento intelectual, e fortalecimento dos elos familiares e afetivos diante da nova perspectiva, optam por não compreender o movimento de transição, e prender em uma masmorra de plástico o objeto em questão. Isso é: há uma preocupação que demonstra sentimentos desfarçados como zelo, cuidado, afeição, mas que na verdade não passam de possessividade do macho-alfa receioso em perder o domínio, entre outros aspectos muito menos nobres do que aparece no script das discussões (quando elas existem).
Com esta visão, não estou defendendo que venham abaixo as barreiras de proteção que por questões de natureza protegem os filhotes do ambiente cruel, mas que os cuidados deixem de existir para proteger o domínio, e venham a proporcionar que as filhas tornem-se menos alienadas diante do mundo com o qual conviverão.
Olho pros lados e vejo exemplos de garotas que exercitam suas liberdades sexuais e emocionais de forma camuflada e equivocada. Quantos exemplos de moças que se envolvem com pessoas erradas por não ter quem as aconselhe a fazer o contrário? É claro que elas têm quem as proíba, mas jamais para aconselhar.
Alguém poderia dizer à esses pais que é mais inteligente, embora seja mais trabalhoso, se aproximar do objeto por eles produzido?
Ou será que poderíamos lhes dizer que não se tratam de objetos feitos por sí e de sua propriedade, mas de outros seres humanos?
Você está ignorando a capacidade das crianças de se libertarem.
Capacidade esta que foi o motor de revoluções culturais muito importantes.
Concordo com o Henrique. Também acho que o fato de o pai (ou OS pais) cobrar respeito por ter pagado as contas e abrigado em seu teto não é a atitude de um dono de um "objeto". É o minimo que qualquer pessoa espera de outra pela qual faz esse tipo de coisa. Não acho demais, nem que o pai trate a filha (já q vc usou o genero, pq pra mim tbm n faz diferença) como objeto.
A verdade é que vivemos num mundo essencialmente machista. E apesar de toda a conversação a respeito da igualdade dos sexos e tal. Homens e mulheres ainda acreditam que existe diferenças.
A verdade é que essas diferenças existem sim! E não tem esse que consiga criar um filho e de forma igual uma filha. Não estou defendendo com essa frase, que a vida sexual de nós meninas tenha que ser escondida e tratada como algo inaceitável! Pelo contrário!
Mas adimita que é dificil para os pais falarem com as filhas a respeito principalmente pela banalização do corpo feminino e do sexo (além de todo o machismo).
Não gostei de você ter tratado as meninas como objeto. Tenho certeza que os Pais delas não as vêem assim.
Henrique,
Penso que a capacidade das crianças de se libertarem é uma possibilidade.
Uma possibilidade que uns desenvolvem, e outros não.
Penso que a liberdade é um instrumento que deve ser ensinado, desenvolvido em conjunto, para que não se torne libertinagem.
Algumas crianças não são ensinadas a pensar de forma livre. Assim como algumas mulheres - as quais me refiro no texto - não têm a opção de pensar difernete do que lhes foi ensinada.
Que tal?
Tainã,
Penso que respeito é importante. Mas também gosto de pensar que essa palavra tão banalizada se conquiste, e não se imponha.
A relação entre pais e filhos pressupõe uma hierarquia. Entretanto, estudos deste século mostram que a melhor forma de gerir - e de orientar - é quebrando a questão hierarquica que envolve as relações sociais, e discutindo os temas. Discutir, que - neste caso - pressupõe pensar em coletivo sem agressividade ou imposições. A idéia mais coerente prevalecerá, e o grupo social sairá do momento de pensamento iluminado.
Respeito, sempre. Basta saber como esse respeito é construído.
Por meio do medo?
Você será pai um dia... Ah, vai!
Não estou fugindo do teu desafio, não, amigo, apenas ando completamente sem tempo para me aprofundar no tema de maneira satisfatória, mas o farei, mais cedo ou mais tarde, pode aguardar.