A cada ida ao bar com pessoas diferentes, a cada roda de conversas, a cada centímetro da consciência e inconsciência alheia que consigo decifrar, a cada atitude que descubro a origem, há uma sensação de orgasmo de minha parte. É como se a cada minuto eu degustasse dissecar as palavras alheias proferidas, os gestos, os olhares na busca da compreensão dos porquês dos seres humanos.
É como se eu estivesse compondo uma belíssima canção, esculpindo uma bela peça, ou fazendo uma grandessíssima contribuição filosófica para a humanidade.
Se por um lado há esse desejo insaciável, essa busca incontrolável por essas questões dos seres desta espécie, também há o meu incomodo constante com o rumo que as pessoas dão às suas vidas.
Certo, eu admito: a superficialidade que as pessoas tratam suas vidas me incomoda (muito).
Me incomoda profundamente, no eixo do meu diafragma, lugar que deveria estar livre para eu respirar.
Me pergunto como é viver em meio apenas a amenidades, questões que se mantém somente na superfície das existências das pessoas. Analiso os diálogos de seres humanos que vivem dessa forma, e esforço-me sinceramente para ser agradável e aceitável com elas. Não apenas por desejar ser interessante aos meus interlocutores, mas porque me interessa entender as causas dessa forma de viver.
Esta batalha interna e controversa é algo que eu jamais consegui me livrar. Se por um lado eu busco me aproximar das pessoas na tentativa de entendê-las, há um sentimento de dor por minha parte quando percebo a forma como encaram suas próprias vidas.
Por quantas vezes dividi mesas de bar com pessoas, com as quais rí, dividi amenidades, e no momento posterior, em minha cama, tive a sensação de choro pelo fato de estar perdido nesta prisão do intelectuo que me faz ver e desejar coisas além das superficialidades?
Tive a felicidade de encontrar na minha vida pessoas que vêem além do que habitualmente se vê, com quem posso dividir essas questões que me atormentam, com as quais a minha sensação posterior a um encontro intelecutal é a completa sensação de elevação espiritual. Esta sensação é indescritível.
Há tempos perdi a esperança de salvar as pessoas, pois elas não o desejam, além de que não mais julgo minha forma de encarar a realidade superior àquelas de outréns; bem ao contrário, pois percebo que as mesmas pessoas que critico nestas minhas palavras jamais terão as dores psicológicas que tenho ao analisar o mundo, ou seja, enquanto eu ensaio um choro sincero em minha cama nos momentos posteriores às convivências sociais, essas pessoas repousam satisfeitas e tranqüilas com o néctar vertido das convenções. Reservo-me então ao desejo de que as pessoas possam um dia experimentar essa sensação de elevação espiritual que tanto considero celestial.
É um voto sincero.
Que Deus me ouça.
21 comentários:
De cabo a rabo, perfeito! De início a percepção da incorrigível futilidade humana nos convescotes etílicos. No cerne a descoberta da superficilidade destes ambientes. Ao final a consciência da própria limitação humana e a constatação adulta: não somos deuses!
Pois é, amigo... Ser profundo dá nisso.
É ótimo que você tenha toda essa consideração para com as pessoas, ao mesmo tempo que é triste... porque muito provavelmente na maioria das vezes você se decepciona.
Acho que a questão básica é entender que cada um tem seus próprios tempos, né. Eu sei que você sabe disso, mas às vezes a gente esquece o que a gente sabe. Ninguém salva ninguém, só a gente mesmo. Então se salve e não se afunde pelos outros. Faça o que você pode fazer, e não se frustre com os resultados. Tem gente que simplesmente não está pronto para ir além da superfície...
As pessoas procuram a melhor de forma de viverem suas vidas, embora não sejam as formas eleiats por todos. Bem, vivemos com livre arbítrio e cada um tem o direito de fazer o que quiser consigo. Vidas fúteis, vazias? Algumas... Acho que nem todas. Mas o que é valor para cada uma dessas pessoas. Maucir, um post muito subjetivo esse teu, tu não achas?
Um bom feriado.
E que os anjos digam amém, meu caro!!!
tá só se iludindo. você não sabe e nem vai saber o porquê das pessoas.
É preciso encarar a vida como um Iceberg, pois, na maioria das vezes, só enxergamos aquilo que está aparente, visível, esquecendo que a maior parte está "oculta". A vida é assim, um verdadeiro Iceberg.
Pensamos conhecer alguém ou alguma coisa, apenas pq enxergamos o que está na "superfície". Acreditamos que conhecemos o todo, apenas pq temos conhecimento de uma pequena parte (e olhe lá..)
Muitas vezes afundamos, pq acreditamos que podemos nos desviar de um Iceberg, mas não temos noção da sua dimensão. É só imaginarmos que somos o Titanic e de repente aparece um bloco de gelo, aparentemente, inofensivo...
Aí que está, da mesma forma, não devemos subestimar o poder das pessoas, nem devemos acreditar que elas são aquilo que “aparentam ser”. Eu sinceramente não sei quem sou, também não quero saber.. Acho que assim viver perderia o sentido. Como diz o grande Mestre Dali: “Como posso querer que meus amigos entendam as coisas loucas que passam pela minha cabeça, se eu mesmo, não entendo?”
Por isso eu não canso de dizer... "É SEMPRE BOM LEMBRAR QUE UM COPO VAZIO ESTÁ CHEIO DE AR"
como dizia o mestre Dali*
;)
Eu concordo com o anônimo e com essa pessoa de nome ininteligível.
Você vê só uma ponta do iceberg, nunca vai conhecer os motivos das pessoas. Nunca vai saber, também, se elas choram quando chegam em casa, ou se dormem sem sonhar.
.
Mesmo que inicialmente me dê vontade de concordar com você, porque infla meu ego. Eu também gosto de pensar, de conversar sobre coisas profundas, trocar idéias... Mas quanto mais eu penso mais eu descubro que tudo que eu penso é só uma opinião. Como no comercial da Adidas, "Impossível é só uma opinião, não é um fato." E todo o resto é só uma opinião, não é um fato.
Que masturbação egomâniaca!
Não seja tão severo, amiguinho. Abobrinhas na hora do recreio também é bom.
Duvido dessa tal liberdade sexual.
Travestis continuam a ter de se prostituir justamente pq não conseguem se inserir na sociedade em todas as suas areas. A realidade é: vc pode sim, transar com quem vc quiser, viver todas as experiências que desejar desde que isso fique entre as quatro paredes da sua casa.
Impressionei-me ao ler este texto, e peço desculpas por não ter comentado antes. Mas precisava de mais tempo para digeri-lo.
Sim, somos superficiais. Sim criamos rotinas. Generalizamos, e se algo não faz parte do bolo, individualizamos o caso. Sim, estamos perdidos. Sim, vivemos esquecendo de viver. E poucos importam-se com os outros e consigo.
Mesmo aqueles que tentam fugir da superficialidade, quebrando a rotina, acabam por transformar isto em rotina tbm, fazem coisas diferentes (até mesmo extraordinárias) mas simplesmente não sentem... nao sentem nada...
Nem todos têm o poder de sentir, como você.
Parabéns por teu texto.
Parabéns por ser assim...
As pessoas simplesmente não sabem lidar com a dor.
Viver de forma amena é uma maneira de enganar-se, um "enganar-se positivo" para essas pessoas.
A realidade, na minha humilde opinião, é unica, cada um ve de uma forma, e a cada um cabe viver e descobrir como lidar com a sua.
Grato pela visita, sempre q possivel estarei por aqui. Abraços.
Cara, sexo não é tão simples assim. O que move o mundo é a energia sexual, é a libido, o que nos desperta o desejo e o que nos dar prazer. As "pessoas" tornam isso público justamente por se tratar de uma parte tão importante delas mesmas, das elas não podem escapar e nem vem uma razão para manter este assunto na escuridão. Lembre-se que muitos problemas psicológicos tem início em algum incapacidade de se realizar totalmente no ato sexual, ou de se lidar com ele.
Sexo é como comer, beber. É a parte do sagrado que está disponivel a todos. Lembre-se que se o sexo fica hj entre quatro paredes é apenas por uma exigência dos valores da sociedade, na antiga Babilônia as pessoas trepavam na rua a vista de todos e não havia problema algum com isso.
Acho que a única pergunta pertinente sua é a pq essa necessidade de auto-afirmação.
Realmente não sei te dizer.
Essas suas dores já me são conhecidas. Admiro a sua sensibilidade, ao mesmo tempo, me entristece saber que nem todos a enxergam. O que me intrigou de fato é saber de que lado da corda você me enquadra - as que compartilham suas experiências ou as que dormem na tranquilidade da ignorância. É um enigma que prefiro não decifrar. Até o show do Teatro Mágico - acredito que você vá encontrar outros raros por lá... :)
no eixo do diafragma é uma expressao incrivel...
Será que meu último texto tem a ver com o mque você chamou de salvar pessoas?
Passando p deixar um beijo e dizer q o caboclo da inspiração baixou rsrs
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Quer dizer que o senhor anda passando pelo blog da minha irmã? hauiahiua ela comentou comigo outro dia que um amigo meu tinha passado por lá.... :)))
Olha... Show do Teatro Mágico dia 25 na Zauber Multicultura. Ingressos à venda nas lojas Flash Point do Iguatemi e do Barra... Conto com a sua presença lá???
Posso me considerar uma dessas pessoas que enxergam além do que os olhos vêem,ou tentam ver...
Pode crer que há pessoas que estão só à espera desse seu desejo de salvá-las.E talvez elas não estejam tão satisfeitas assim como você pensa...
Sonhei com vc hj e vim ver o blog que vc sempre pedia pra que eu visitasse ... Simplesmente maravilhoso ... Como tudo que vc faz amigo ... Saudade, sabia? o que aconteceu com o seu orkut? Aparece ...
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