14/05/06

Mais uma foto mofada

Eu lembro que era uma dessas tardes escuras de chuva, onde a janela cerrada protegia a casa da fúria das águas e dos ventos.
Um grande tapete se encontrava estendido no chão, onde estavam todos os meus legos espalhados: durante aquelas horas, me divertia montando as mais diversas estruturas. Eu podia ser o que quisesse. Astronauta, herói, vilão, lixeiro, mecânico, pirata...
Os artefatos que montava ficavam expostos alguns dias na prateleira em meu quarto. Pouco tempo depois eram reciclados, transformavam-se em imagens, formas, sentimentos, momentos totalmente diferentes.

Além do elementar saudosismo que remete à infância, à saudade, à diversão, lembro claramente de algo que ouvia, e que provavelmente me tornou o que sou, o que fui, e o que serei. As palavras remetiam sempre a mensagens como: são crianças como você, o que você vai ser, quando você crescer.

As vezes é essa a maior curiosidade sobre minha própria personalidade. As coisas que busco, os sentimentos que tenho, minha melancolia freqüente diante de certos estímulos humanos, e até muitas vezes dos meus próprios estímulos. Qual seria a quantidade que tudo isso tem a ver com as tardes que passei sozinho diante dos legos, frente às idéias que construí com minhas próprias mãos, ouvindo mensagens que remetiam à introspecção, a tudo que não é fácil de entender.

Penso que seria jovem demais para refletir, naquela época, sobre introspecção, valores, sentimentos, personalidade, carências, perspectivas. Quando estes sentimentos afloram em minha mente, entretanto, tenho sérias dúvidas sobre tudo isso. O que serei eu, afinal?
Se um dia eu for a um psicólogo, será, definitivamente, pra descobrir isso.

8 comentários:

Henrique Cartaxo disse...

Vá descobrir, então.

Tudo isso fica ecoando no crânio o tempo inteiro, e ressoa em tudo que a gente faz.

tarciso disse...

Em você quase nada aflora porque você vive de mergulhar à cata destas coisas escondidas que há por aí dentro da alma...

Anônimo disse...

Você apareceu no meu blog... Sendo tal fato tão raro, agradeço o carinho. Venho sempre aqui. E, desta vez não foidiferente minha surpresa! Você é ótimo! Uma coisa? Viu minha homenagem de aniversário?

Anônimo disse...

Mau, sem dúvida esse é o texto mais lindo que você produziu.
Não sei bem o motivo, mas me identifiquei totalmente com ele. Lembrou muito a minha infância.
bjs:*

Lady Sarah Sophia disse...

Primeira Imprssão que tive de seu blog foi aolgo simples, achei nao encontraria nada para que eu pudesse reflitir, ou me inspirar,
ainda bem que que percebi que estava errada...

Esse texto é maravilhoso,
lindo,
me faz pensar e relembrar da minha infancia...

Legos(os do meu irmão pq eu n tinha rsrsrs), que saudades deles...

Beijinhos
Espero que de uma passadinha no meu blog!
:)
até mais..

Anônimo disse...

"e no final assim calado eu sei que vou ser coroado rei de mim."

O dono da verdade, o macaco que não olha para o próprio rabo. rsrs
bjs:**

Lady Sarah Sophia disse...

Oi Maucir
o Livri de Viagens não é meu e sim da Loreena Mckennitt, Eu escrevi o nome dela embaixo do texto se nao percebestes.


Acho que entendeste o meu comentario de forma errada.
Eu nao quiz ofendê-lo, e nem dizer que seu blog era mediocre, ou o seu texto!
Eu nao falei nada disso!

Se me expressei mal, desculpe-me, nao foi a intenção.

Eu qui dizer, que a primeira vista achei o seu blog simples, e que nao haveria nada d muito interessante.
MAs quando li este texto descobri que estava erra, totalmente.
Esse texto foi muito bem escrtio, ele é inspirador.

Affe...
Se voce se deu o trabalho de escrever um texto de o que é ser mediocre e coisas similare fique sabendo que estas errado por demais. Nao vi mediocridade nenhuma pelo seus ''Áres'' e sim Simplicidade(por causa do template) e Complexidade(pelo conteúdo).
Aquilo foi um elogio.
Se entendeu errado reavalie os seus penssamentos...

:(

Anônimo disse...

Tu sabes quem tu és... descerra os olhos um pouquinho e te verás!

Os beijos que hoje te deixo estão adornados com o riso de crianças que brincam no parque aqui em frente à minha janela... consegues ouvir?

Te gosto muito, meu querido!