Paisagem do abismo - 12/2004
Há um cruzamento a minha frente, só vejo contornos, há também muita nevoa. Me sento, o cheiro me enjoa, pudera, pra chegar até aqui foram léguas e léguas caminhadas sobre sol escaldante.
Por enquanto só quero isso, sentar-me e aguardar que os ventos tratem de retirar as névoas do caminho. Se há algo ali, não posso ver, ainda.
Há também um gato, de cauda larga, longa, apelidei-o de Vida. Ele se esfrega em mim, implora uma carícia, se eu o faço, ele se afasta. Ela está jogando comigo, maldito seja, jogarei contigo, infame.
O abismo - 09/2005
Mal posso manter os olhos abertos. De tão rude odor, já não há olfato. Me vi perdido, na névoa. Estendo a mão, não mais a vejo. Seria desesperador, curiosamente, não é. Canso-me do sentar, levanto-me. Dos olhos que nada viam, agora vêem o mundo. Sorrio profundamente. Não sinto mais os músculos da face, as mãos, o odor, sequer a visão: Vejo o mundo.
Posso olhar no sentido contrário. Vejo o cruzamento que cruzei. O lugar onde sentei. A névoa, por onde divaguei. O labirinto de onde achei que nunca sairia.
Os ventos dissiparam as trevas cinzas que não permitiam que eu me visse. Agora me vejo. Estou só, diante de um logo percurso. E o sol. Ah, sim, é o velho e escaldante sol dantes.
O gato. Ainda está ali, entre os espinhos. Sinto que me vê, mas não deixa que eu o veja. Sei que me acompanhará, com sua longa cauda. Está jogando comigo, maldito seja, continuo jogando, infame.
11 comentários:
Que jogo estranho heim?
Não sei (ai depende de você.), se a compania desse gato é boa pra vc.
Eles são traiçoeiros. Mas a vida também é.
A névoa já se foi, e agora o sol clarea seu caminho, mesmo que escaldante!
Um grande abraço
E obrigado pela honra de ser o 1º
Eu li mas não entendo muito bem o que quis dizer, Maucir. Mas de qualquer forma, estive aqui para te ver e fico muito feliz em te deixar um uivo, meu querido.
BeijUivooooooooosssssssss da Loba
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o gato se esfregou em você pra marcar território. ele não quer carinho, quer mais espaço.
Bateu à porta, atendi, log que pude. Desculpe minha ausência. Eu não quis, mas não tive como evitar. No mais, não esqueci de você também. Dê-me licença. Vou ~ver o que ainda não vi.
putz, que clima pesado nesse texto, sombrio.
abraços e que o sol brilhe nesse jogo se for algo da vida.
Ola!
Muito bom receber sua visita no meu blog!
Não recebi o e-mail que mandou...
Bom, achei os seus textos profundos e muito bem escritos. De certa forma me sinto como vc, mas a névoa tem q existir, pois só assim é possível evoluir!Se os caminhos fossem perfeitos não sentiríamos a vontade de andar. Não é possivel retirar toda a névoa, mas reduzi-la é o caminho p/ a felicidade...(se é q felicidade realmente existe...) Acredito q o inverno acabou, ou melhor, nunca existiu, pois o sol nasce todos os dias, querendo ou não.
O gato q se camufla nos espinhos tem um motivo, tudo tem uma razão, espero q descubra.
É bom saber q é o meu conterrâneo!
bjs:***
ah, tem post novo!aparece!
daí, quem ganhou?
O gato, tão traiçoeiro como as pessoas. O caminho tão espinhoso e obscuro como a vida. Qnd se calreia um pouco percebemos que estamos diante de um abismo. Me pergunto se não teria coragem de pular para poder voar livremente.
Um gato, um abismo, uma vida?!?!
Interessante... como pode ser variada a forma como as pessoas pensam... de um jeito ou de outro, mais poetas ou menos, o que importa é a representação que fazemos dela...
O que se dá é que a vida é feita de fatos...fatos esses que procuramos esconder... se atirar em seu ser profundo, sem fundo, abismo....para buscar um refúgio!!
Continue escrevendo...
Adorei os textos...
necessario verificar:)
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