11/09/05

á, bê, cê dum Era Uma Vez

Estou em luto.
Cunharia uma crônica, como de hábito, para narrar mais uma onomatopéia da nossa cruel, humilde, e cotidiana vida privada. Registraria em parágrafos de fácil entendimento algo que vi, senti, ou que simplesmente imaginei. Normalmente, este é o processo: Vejo, sinto, ou imagino algo, farejo um sentido maior para a questão em questão, e transcrevo-o em palavras que qualquer um leria. Gregos, troianos, macedônios e até brasileiros, todos.
Mas, desta vez, estou em luto. Não se trata de um luto no sentido de luto da palavra. Talvez até se tratasse, porém, para facilitar as coisas entre eu e nós, vamos dizer que não se trata do luto no sentido nato da palavra. Felizmente ninguém falecera. Nenhum parente, nenhum amigo, nem mesmo um simpático conhecido. Trata-se dos meus conceitos, notavelmente antiquados demais, e que eu me iludia que existisse na cabeça de mais alguéns que não eu.
Lembrando, claro, que a utilização de Alguéns, neologismo meu, está aí pra substituir a boa, velha, e batida Sociedade.

Não começaria com Era Uma vez, ainda que goste de brincar com as expressões. Não utilizaria por um fator básico: não se trata de um conto de fadas. Bom, deixe-me explicar. Talvez, até fosse um conto de fadas, porque, afinal, a literatura não deve ter limites, e, além de tudo, trata-se de uma historinha que tem muito a dizer com seu pano de fundo. Tem pano de fundo, mas a cor não é cor-de-rosa, e não cheira a margaridas. Ainda que nada disso seja impedimento para a construção de uma crônica iniciada fantasiosamente com um lindo e bonito “Era uma vez”.Basicamente, a estória trata de um homem e uma mulher. Um homem, uma mulher, e uma relação de enamorados. Um homem, uma mulher, uma relação de enamorados, e uma exclamação feita pelos dois “Não gostamos de pessoas românticas!”.
É um casal adolescente, digo, um casal de adolescentes, com todo o fulgor da idade, e que vivem essa relação de prazer intenso, e apenas do prazer intenso, por longos, intensos, e vigorosos nove meses. Pausa. Vamos respirar e pensar um pouco. Gostaria de abrir um parênteses aqui, e é justamente por causa dessa parte que eu nunca começaria essa estória com um “Era um vez”. Nove meses, diga-se de passagem, aos românticos que me lerem, justamente o tempo necessário para gerar uma outra vida, que, teoricamente, teria que provir de um amor entre duas pessoas.
Tudo bem, vamos pular essa parte do meu romantismo retrogrado e ultrapassado, eu sei e admito que possam haver relações estritamente baseadas na carne, no tesão, no prazer, mas como pode uma relação baseada apenas nisto durar por nove meses?

Oquei. Talvez eu esteja sendo católico demais, mesmo não sendo católico; ou velho demais, mesmo sendo apenas mais um quase-adulto; mas, há algo no ar que realmente me assusta, mesmo estando por ai, por todos os lados, esbarrando-se o tempo todo em mim, em nós. Sinta o cheiro você também.

Por isso o luto. Jaz aqui, nesta humilde tumba, mais um apêndice do meu idealismo.

19 comentários:

Anônimo disse...

Uma pena...

Maucir Nascimento disse...

Por favor, deixem seus endereços dos sites no campo dos sites, por favor. Se não, nao posso achar vocês.

Anônimo disse...

Rá! Romantismo é retrógrado? Pára com isso, caro amigo. As mulheres que dizem que não gostam de pessoas românticas, das duas uma: ou estão confundindo romantismo com aquela coisa melosa, ou falam apenas para dizerem exatamente o que seus homens estão querendo ouvir.

Anônimo disse...

Taí...concordo com Marcos...muitas confundem romantismo com melação, esquecendo que ser romântico é não deixar a paixão cair na rotina e isso só se consegue com pequenos gestos do dia-a-dia.
Xêro

Maucir Nascimento disse...

A Lara do bem disse tudo...

Mas, será que todo mundo pensa assim?

Anônimo disse...

véi, pare de fazer texto grande, amanhã eu leio.

:p

Ronaldo Santos disse...

Putz! Como ser romântico em uma sociedade que só pensa em SEXO?
Cara tô nem ai que me chamem de careta!

E estou nessa com vc!
Também estou de luto!


Ps* o link que vc colocou no seu blog do meu não funciona!

tarciso disse...

ah, filho, será que a vida teria algum sentido fora da possibilidade romântica, de sonhos a realizar, dos pequenos gestos de ternura, de valorizar um sorriso e sussurrar palavras de carinho?!
Porque somos um tanto quanto loucos vale a pena vivermos as nossas loucuras - ainda que na contramão dos alguéns que, nesse caso, seria melhor chamar por ninguéns!

Edgar Borges disse...

É, meu rei, acho que vc está sendo judaico-cristão-muçulmano demais...
mas permita-se ser assim. Ter padrões é necessário.
abraços

(Deixar endereço como, Maucir? ESte teu sistema é muito ruim. instala logo um haloscam. )

Anônimo disse...

Que tal acreditar então que depois dessa "morte" existirá uma nova vida! Ainda acredito no romantismo e na beleza das coisas simples, e não me importo nem um pouco com os que pensam diferente. Eu continua saboreando momentos inequeciveis, e os não romantimos, saboreiam o que? Um bom pedaço de carne, em uma churrascaria? Ou talvez quem sabe a conta do cartão de crédito excessiva no final do mês por causa do sapato de couro de cobra! Oras o mundo é assim, extremos opostos que servem para mostrar as diferenças. Faz parte! Adorei seu blog!

Anônimo disse...

Parem de foder.

Robert Leroy, www.bernardoalmeida.jor.br

TonMoura disse...

Putz, você fez uma introdução maravilhosa e não contou a história. Ler entrelinhas nem dá margem pra concordar ou discordar.
Tudo bem, that's your tune.

TonMoura disse...

ei, velho?
fica triste, não. O comentário foi sincero. É que você costuma ser tão preciso e direto que a gente espera o tempo todo por isso.
Mas, a frase em inglês não significa apenas o ipsis litteris, significa que se essa é sua canção eu vou gostar de ouvir.
Valeu?

Anônimo disse...

Véi, eu pensei que voce tava de luto porque eu Jaêa(Jáfoiiiiii) caiu pra terceirona. hehehehhe

Aí eu te entenderia, passaria a mao na sua cabeça e diria, a vida é assim.

mas não, é esse papo de romantismo...

Espero que um dia voce entenda que o propósito de viver, é foder.

Você está sendo Católico de menos.

"Crescei e Multiplicai-vos"

:D

Anônimo disse...

Amor é amor, cada relação é uma.
Voltei.
Beijos

Anônimo disse...

Sei que estou muito tempo ausente! Para compensar, escrevi um texto, com o pouco talento que possuo, que é, na verdade uma homenagem a algumas pessoas, inclusive você! Vá lá e confira!

Anônimo disse...

E aEE Maucir, tranqüilo né? Dei uma sumida da blogosfera né? Pois é, tempo é dinheiro e, infelizmente, não tenho nem um nem outro.

Mas, na medida do possível estou tentando ler alguns blogs.

Seu texto ficou muito massa. O idealismo já é ultrapassado como vc disse. Infelizmente, seja qualqer tipo de idealismo. Com relação a 9 meses só de tesão, sexo e carne é bem possível durar mais tempo que isso.
Uma ex-namorada minha era muuuuito gostosa, namorei 4 anos e meio mas nem era aquele amor romântico e ideal como nos contos de "Era uma vez..."
A vida camarada. A gente fica com uma pessoa a partir do momento que ela te faz bem, não precisa ser amor, necessariamente.

Meu luto já passou.

Anônimo disse...

P/ pensar:

___*_*_*_*_______*_*_*_* Os Ventos q às vezes
_*_________*___*_________* Tiram algo q amamos
*____________*_____________*São os mesmos q nos
*____________*_____________*Trazem algo q
*___________Bjos____________*aprendemos a amar...
_*__Bjos_____________Bjos___*Por isso não devemos
__*_________Bjos__________*chorar pelo que nos
____*___________________*foi tirado...
______*_____Bjos_______*E sim aprender amar o
________*__________* q nos foi dado...
___________*____* Tudo aquilo q é
_____________** realmente nosso, nunca
______________* se vai para sempre...

É a primeira vez que venho aqui! Ficarei muito feliz se for lah no blog e deixar a sua marquinha!
bjs:****

Diego disse...

O amor tudo crer e perdoa, e se renova e deixa de ser careta!

Pelo menos para aqueles que querem!

T+