É Dezembro.
O ano letivo acabou, novas notícias são escassas, amigos viajaram com
familiares, a família do meu pai não me conhece, minha mãe trabalha de
sol-a-sol pra me sustentar, as salas de bate-papo estão vazias e eu estou
sozinho.
Me levanto
assustado. Foi só um pesadelo. Memórias de uma infância que me assombram. Uma
esposa linda e serena descansa ao meu lado. No outro quarto, repousa minha mãe,
que nos visita. Respiro aliviado. Por um minuto penso em todas as variáveis que
mudaram desde aqueles tempos: a falta de tempo pra me sentir sozinho, tantos
negócios, atividades espirituais, amigos a serem contatados, jogos a serem
jogados, exercícios, tanto mudou desde os meus 15.
No entanto,
não deixo de pensar na última semana desde ano de 2013 que se aproxima. Na
semana em que a esposa estará trabalhando, mãe retornado ao Brasil, a empresa
em recesso e eu lidando com a minha solidão por uma semana inteira.
Me pergunto
se um dia conseguirei lidar com esse trauma que me acompanha há tantos anos.
"Vai
dar tudo bem" - Diz a parte de mim mais madura.
"Tomara"
– Diz a parte de mim que quer apenas que esse período passe logo.
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