28/07/13

Business gravitacional field

Será que somos o que nascemos pra ser ou o que queremos nos tornar?
São anos e anos de preparo na tentativa desesperada de me separar do egoismo e arrogância que fazem parte da minha natureza. A mesma natureza que nos faz animais é da qual tento desesperadamente me distanciar.

Existe, entretanto, uma força gravitacional gigantesca em volta do mundo dos negócios. À medida que avanço hierarquicamente, o mundo parece ficar mais reacionário ao que me acostumei a entender como "práticas do bem". Existe uma sede desesperada de egoismo e arrogância. Como se as portas que antes se abriam com humildade exigissem o elixir do mal para serem destrancadas. Como se a minha própria sobrevivência e prosperidade dependessem da minha entrada no jogo.

Tenho sentido constantes ânsias de vômito e acelerações cardíacas, especialmente quando tento dormir. A pergunta se repete: Será que somos o que nascemos pra ser ou o que queremos nos tornar? Será que eu deveria apenas aceitar a natureza demoníaca do meu ser animal?

Lembro-me bem das conversas que tinha com Henrique, quando decidi não cursar História e abraçar o Marketing. Eu dizia que queria me infiltrar no universo corporativo pra mudá-lo por dentro. Uma revolução silenciosa, como eu descrevia naqueles momentos de idealização - ainda não cheguei no estágio no qual os descreveria como utópicos.

Até este ponto, orgulho-me ao dizer que sucedi. Fiz o que tinha que fazer de maneira exemplar. Fui um soldado eficiente ao integrar as máquinas de moer gente - contribuindo como pude para um mundo melhor. Ao gerenciar pessoas, conquistei os resultados ainda que melhorando a vida dos que estavam ao meu redor. Será que conseguirei não me corromper também neste estágio? Será que um dia terei forças pra mudar o mundo até onde quero mudá-lo? Se não, será que morrerei tentando - e orgulhoso? Ou serei corrompido assim como todos os outros à minha volta?

Espero que no fim nós possamos ser o que queremos nos tornar.

Um comentário:

Henrique Cartaxo disse...

Meu caro,

1. Não acredito que seja egoísmo ou arrogância o que perpetua essas práticas, mas sim o medo, a insegurança e de certo modo o despreparo. Quem não conhece profundamente o funcionamento do sistema em que opera dificilmente vai saber trabalhar fora do óbvio, então o que lhes resta é se esforçar para manter o que vem funcionando, porque não tem capacidade para improvisar dentro de situações imprevistas.

2. Acho que não nascemos para ser nada e o que queremos nos tornar só pode se efetivar pelas ações rotineiras. Isto é: Você é o que você faz todo dia. Quero dizer que uma boa ação ao longo da semana não te faz um samaritano, o exercício de ser quem se deseja ser é diário, a decisão de Ser deve ser reforçada a cada minuto.

Boa sorte.