Pra ser sincero, eu nunca entendi porque eu nasci tão diferente.
...e portanto sozinho.
É inexplicável. Meus pais, irmãos, amigos, colegas de trabalho. É simplesmente inexplicável.
A diferença é tanta que eu falho até mesmo em explicar os motivos. Tudo deveria ter motivo e explicação. Talvez eu ainda não seja sábio suficiente ainda pra entender. Talvez um dia eu posso explicar. Preciso acreditar nisso pra seguir a diante.
"De onde vem o jeito
tão sem defeito
que esse rapaz consegue fingir?"
A verdade é que eu finjo. Adapto como ninguém e sorrateiramente consigo me camuflar. Permito que as pessoas concluam o que queiram de mim, mas a sensação que reina é que ninguém nunca penetra além das camadas iniciais.
"Olha esse sorriso
tão indeciso
tá se exibindo pra solidão
não vão embora daqui
eu sou o que vocês são
não solta da minha mão
não solta da minha mão"
Assim são os meus textos, cujo conteúdo se comunica muito mais com a interpretação do leitor do que com as intenções do escritor. Assim são as minhas falas, que são modeladas para o interlocutor. Assim sou eu.
"Eu não vou mudar não
eu vou ficar são
mesmo se for só"
Como eu disse algumas vezes, é inexplicável.
Como pode alguém nascer em uma cultura, com uma educação e desenvolver-se completamente em outro sentido?
Porque será que a maior parte das coisas que faz as pessoas felizes não me abre o apetite?
Porque o que passa despercebido aos outros me machuca tanto?
Porque será que eu tento toda essa necessidade de ser o que ninguém nunca disse que eu precisaria ser?
"Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
o mal vai ter fim
e no final assim calado
eu sei que vou
ser coroado rei de mim"
Aos 26 e meio, na maior parte do tempo as minhas esquisitisses interiores me parecem positivas. Nobres até.
Na maior parte das vezes eu não sinto a necessidade de ser entendido, decifrado.
Em geral, me basta contribuir pra que que é certo aconteça. O que eu acredito que é certo.
Me faz sentir um pouco como um heroi pós-moderno agindo por um mundo melhor nas entranhas da sociedade, sem que ninguém se dê conta.
Nos dias ruins, a solidão toma conta do meu coração.
Ser diferente dói. Não conseguir mostrar ao mundo as minhas verdadeiras cores é doloroso. Não ser reconhecido pelos meus próprios feitos requer enormes doses de energia. Nos dias ruins não há energia suficiente.
Torço pra que os anos me dêem mais força pra que eu possa suportar a minha esquisitisse. E quem sabe um dia entender de onde isso veio.
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