03/04/12

Guerra de Nervos II




Por um momento consigo que os olhos se fechem. O corpo sente o cansaço, a mente pede descanso, a hora é de dormir.
O coração se acelera, a alma se inquieta, os músculos se cotorcem. Olhos abertos mais uma vez.

Lição número 1- Nunca dependa de ninguém - "Você já não devia ter aprendido isso?", me pergunto.
Lição número 2- Pelo amor de Deus, aprenda a controlar esses seus nervos - "Como você vai conquistar tudo que você quer conquistar na sua vida se você não consegue ao menos controlar seus nervos?", me revolto.

Mas ainda é noite e a noite é quando mais me sinto impotente.
Na maior parte do tempo tenho a nítida sensação - ou gosto de pensar que - o futuro depende do meu esforço. Durante o dia montanhas podem ser movidas, os minutos se desdobram, temos o poder de operar pequenos milagres. Sou capaz de feitos que nem parecem ser humanos.

Durante a noite, é como me sinto quando meu destino está nas mãos de outras pessoas: "Amanhã a gente resolve".


2 comentários:

Henrique Cartaxo disse...

Havia algumas décadas atrás a sensação de que se fôssemos diligentes e fizéssemos o que fosse necessário, o sucesso seria inevitável.

Hoje o sentimento geral é muito diferente, o ser-humano está cada vez mais impotente diante do seu destino, porque as circunstâncias a que seremos submetidos na vida são completamente imprevisíveis. A sorte começa a contar mais do que o mérito.

Não sou eu quem está dizendo isso, é um sentimento que capturo no nosso tempo, que está presente também na produção artística contemporânea, dos filmes mais populares à música erudita.

De todo modo, ainda somos responsáveis por nossas existências, cada uma a seu modo. E existir continua sendo um ato relacional.

Maucir. disse...

Eh com enorme pesar que tenho que concordar com voce. A logica moderna na qual eu fui criado me ensinou os valores do esforco para o resultado, mas o momento pos-moderno que nos envolve inunda minha percepcao com valores como sorte, influencias externas e o inevitavel destino de depender dos outros.