"Em toda separação há de haver conflitos", disse alguém que não conhece nada além da guerra. Bobo.
Foi quando lembrei da passagem da bíblia que nunca lí, mas ouvi enquanto citação: "Quem vive pela espada, morre pela espada".
Admito que a maioria das pessoas vive em uma frequencia de conflito. O que é meu é meu, o que é seu é seu. Dispostos a brigar, lutar, se contorcer pra assegurar o seu espaço, a sua posse, a sua cria. Bobo.
Posso ser romântico ou idealista, mas acredito que todos os ciclos tem um fim, e of fins podem sim ser tão honrados quanto os começos. Minhas conquistas não precisam ser feitas sob o sangue de terceiros, nem vice-versa.
Admito, admito que essa opção me custa caro muitas vezes. Me custa a lágrima da decepção, daqueles que honram suas palavras apenas nos apertos de mãos iniciais, aqueles cujos resultados só se consideram as vitórias. E quando acontece - humano que sou - sinto raiva, ódio, ressentimento, rancor, desejo de vingança como qualquer outro humano. O sangue ferve, as mãos soam, a vontade de xingar urge, o ego tortura, mas aí gosto de pensar em Gandhi.
Até outro dia o exemplo de Gandhi me parecia meramente "bonitinho", "positivo". Foi quando eu realizei que até mesmo os corações mais duros, as pessoas mais sofridas, as almas mais mizeráveis se envergonham dos seus atos. Dessas pessoas não sou tolo suficiente pra esperar que suas benevolências se manifestem acima de seus interesses individuais, mas sou idealista suficiente pra esperar que eu seja um dos agentes de mudança que os fará perder noites de sono pelas suas próprias ações.
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Todos temos nossos lados miseráveis, não vamos bancar os hipócritas. O mesmo que vos escreve pregando um comportamento social melhor foi capaz de terminar uma relação de anos sem sequer explicar-se, ou de difamar pessoas guiado por sentimentos de vingança, ou de trair, mas o que nos faz melhor é a vergonha que sentimos dos atos que praticamos e a mudança desses comportamentos no futuro. Não podemos mudar o passado, mas podemos fazer um amanhã melhor.
Não há de haver conflitos nas separações e nos términos, se tivermos a coragem, a honra e o desejo de fazermos o que é justo. Posso morrer tentando, mas vou fazer de tudo pra provar que pode haver uma mudança.
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