As eleições pra mim sempre são momentos de grande excitação. Minhas entranhas digerem as informações com voracidade, processando as jogadas, nuances e expectativas. Não sei se um dia estarei no jogo político como estrategista ou por qualquer outro prisma, mas os desdobramentos da campanha ardem no meu peito com uma brasilidade imensa.
É bonito de sentir.
Nesse primeiro turno o destaque é de Marina Silva.
Em uma campanha sem dinheiro, coligações, sendo até outro dia completamente desconhecida no cenário nacional, a ex-senadora provou que o povo brasileiro quer um Brasil diferente, e é nisso que eu acredito como idealista que sou. 20% da população apostou em uma candidata que não lhes ofereceu nada em troca pelo voto. Vinte por cento de nós foi às urnas desejosos de um país um pouquinho diferente de tudo que já experimentamos. Um quinto do nosso povo quer fazer parte de uma nação diferente.
Essa parte de nós está cansada de corrupção, e reconhece no próprio povo - que é isso que a negra e ex-analfabeta até os 16 anos simboliza - uma chance de um lugar melhor pra gente viver.
E é por isso que eu continuo aqui, do outro lado do mundo, ficando puto quando ouço as críticas deliberadas dos brasileiros ao nosso Brasil. É por isso que não concordo com a ótica viciada de que nós tínhamos tudo pra ser o melhor país do mundo, mas que nunca vamos à lugar nenhum porque nossa nação não tem jeito. É por isso que discordo quando percebo que as línguas enaltecem apenas a violência, as favelas e o tráfico, elogiando apenas as praias, o pagode e a culinária de "casa".
Quando é que vamos parar pra perceber que a hora da mudança chegou, e que nós temos a obrigação de participar disso?
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