23/05/08

Liderança, comando ou gestão?

Há uma máxima administrativa, a qual tenho grande estima: "Lidere quando possível, comande quando necessário: você é pago pra obter resultados". É um principio norteador que adquiri de um professor linha dura da administração.

Durante toda minha vida acadêmica, desde o ensino fundamental, sempre liderei processos. No começo, minha intenção era puramente ajudar os processos a prosperarem: liderança estudantil e assim por diante. Era tempo do estudo na escola, e eu entendia que podia ajudar as coisas a ficarem melhores.

Na faculdade, eu percebi que podia usar essa boa intenção, e esse skill que tinha pra finalidades profissionais, e que eu gostava muito de fazer isso. Me envolvi com grupos, pessoas e colegas. Tinha a certeza que não passaria pelo ensino superior fazendo apenas provas e trabalhos: queria deixar minha marca. Boa parte disso veio por meio da liderança de pessoas também bem intencionadas.
Projetos foram desenvolvidos, frutos nasceram disso.

À certa altura, quando a situação tornou-se organizacional - porque minha área de estudo são as ciências sociais aplicadas aos negócios - deparei-me com uma situação que não tinha muito impacto nos projetos puramente sociais: metas distintas das pessoas, inseridas em um projeto de diretriz comum apontam para discussões, que geram rusgas, e que tornam-se problemas. Muitas vezes pessoas reativas não permitem que isso seja contornado como o líder conduziria normalmente.

Foi um dos momentos mais stressantes e importantes do meu aprendizado pessoal. Tive que sair da perspectiva do líder para tornar-me gestor. Sim, eu lí Daniel Goleman, James Hunter, e mais um punhado de indivíduos que falam sobre gestão, e formei um modelo de liderança do qual me orgulho, e que ainda está em desenvolvimento.
Foi onde percebi que em certo momento, a liderança deve tomar um aspecto um pouco mais árduo para que os objetivos gerais sejam alcançados. Foi quando surgiu a máxima: "Lidere quando possível, comande quando necessário: você é pago pra obter resultados".

Se todos os lados devem ceder para a obtenção de objetivos em comum, é função do líder/gestor gerenciar isso da melhor forma possível. Não me refiro ao comando autoritário, porque não acredito nele. As sociedades precisam dos líderes para convergirem e evoluírem, e os líderes precisam ter pulso quando necessário.

As vezes, sinto que as pessoas têm dificuldade com isso. Nem sempre é afável o processo de gestão, e boa parte dos que se dedicam a resolver questões comuns sacrificam boa parte da eficiência dos processos para manterem o relacionamento satisfatório entre as pessoas. Particularmente, admito isso nos processos sociais, na representação estudantil e até nas questões humanitárias, mas jamais nas empresariais.

Os nós precisam ser desatados, e o gestor está lá pra isso.
Se você não quer comprometer seus relacionamentos, não se coloque nessa posição: muitas vezes ela é ingrata.

4 comentários:

Anônimo disse...

Gostei do texto.

Realmente, fica muito dificil lidar com amigos em situações empresarias.

Eu sou o tipo de cara que às vezes compromete a eficiencia do processo a fim de não decepcionar um amigo.

Vejo que o problema muitas vezes está quando as pessoas recebem correções ou críticas, levam-as para o lado pessoal.

Mas como muitos gestores defendem..."It's just business"

Gladson Amaral disse...

Eh, a verdade nua e crua. Impossível agradar Gregos e Troianos. Se não quer levar um tapa na cara, não coloque a cabeça para fora da janela.
Colocando-me no posicionamento do grande Don Corleone, "não há pior combinação que amigos e finanças" (entenda-se negócios) e certos posicionamentos cobram preços difíceis de serem pagos. Quem assume cargos de liderança devem estar preparados para ser flexivel e frio as vezes, como falou o colega ai, "It's just business".

TonMoura disse...

é... sobre liderança eu gosto muito de citar um fato narrado no livro "Spiritual Leadership" (Sanders):
Um entrevistador perguntou a Winston Churchill sobre qual era a principal coisa para ser um líder (boa formação acadêmica em administração ou direito, conhecimento estratégico militar, influência de autoridades, assim por diante).
Ao que o lord inglês respondeu:
- Para ser um líder só é necessária uma coisa: seguidores.

Noé disse...

muito bom Gladson, de fato há que se separar as coisas e não perder de vista o objetivo.
abr
Noé