15/01/07

Trying one more time

A entrada no mercado de trabalho pode ser algo bastante cruel para aqueles que não têm em seu temperamento o instinto da auto-promoção, a síndrome do pavão, o ideal de falar mais do que fazer, a intenção de ser visto antes de ser efetivamente capaz de fazer algo bem.

No ápice do ideal do capitalismo selvagem, a estrutura empresarial ainda mantém ranços que desarticulam o eixo de sua produtividade, e mantém processos importantíssimos amarrados, imobilizados, inertes: apesar de ser tão poetizada, e apontada pelos boêmios socialistas como
o demônio, o capitalismo empresarial ainda não aprendeu totalmente a ser como deveria ser.Essas estruturas, além de serem um câncer - que pode se apresentar como generalizado ou localizado - ainda inibem personagens como eu que vislumbram qualquer intenção de ascender no sentido de otimizar os processos que elas desarticulam.

Meu maior pesar neste texto não é a da conseqüência inexorável do que não é realizado, e que pode desdobrar-se em projetos mal concebidos e/ou realizados, e até muito freqüentemente na quebra das empresas. Meu sentimento de perda é imenso quando percebo o quanto tenho problemas para lidar esta situação, uma vez que meu temperamento não inclui a necessidade de manter situações competitivas e desnecessárias. Quando fui programado, a regra que me foi ensinada foi: entregue-se aos projetos que valem a pena de forma honesta, integra, nobre, de corpo e alma. Tal programação não inclui pôr - na esfera profissional - meu ego a frente dos processos para os quais fui convocado e aceitei fazer parte. Se estamos incluídos em um processo, e fomos contratados para tal, deveríamos fazer de tudo para idealiza-lo, cumpri-lo, processa-lo de forma otimizada, maximizada, e não viver esse processo a fim de enobrecer - em primeira e única instancia - nossos egos.Além de não concordar ideologicamente com o que disse acima, ainda sofro do mal da timidez, o que não me permite viver tais coisas.Sim, eu sofro com tudo isso, simplesmente porque denunciar tais obstáculos sem ter status para tal - início da carreira - significa invariavelmente o fim; além de que o ato de denunciar tais ações não é nobre, bem como é supor que aqueles que têm o status e poder para tal não têm a capacidade de percepção do que acontece, o que não é o caso.

Sobre a barreira da timidez, alguém muito especial proferiu as seguintes palavras, embora talvez nem tenha conhecimento total da situação a qual me refiro:

"Somos felizes sim, assim como todos os temperamentos encontram um meio para serem felizes.
A timidez atrapalha muito e acho ser necessário observar o quanto ela nos domina.
Acredito que os não tímidos quando são menos dedicados, menos profissionais e menos focados, aparecem de uma forma pejorativa, diferente do tímido que não aparece. Mas há uma chance para os tímidos, pois quando eles querem e entendem que é necessário aparecer, eles aparecem, talvez de uma forma mais discreta, mas sua presença e competência são notadas."

Levando em conta que o depoimento acerca do assunto pertence a um modelo bem sucedido de mais um alguém tímido, acredito que ainda há esperança para mim.

9 comentários:

Anônimo disse...

O que há uma burrice total na lida com os talentos. Fazem tudo errado, valorizam os puxa-sacos, os espertinhos extrovertidos e desperdiçam quem realmente faria a diferença.

Bom que vc percebeu isso logo cedo. Agora é arranjar uma forma de conciliar produtividade e marketing pessoal, de um lado; distanciamento e aproximação com os que decidem, de outro.

Como já sabem os políticos: Não basta fazer, tem de mostrar que fez.

Anônimo disse...

*´¨)
¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•`* Beijinhos

carolina ; disse...

oi maucir (:
bem... eu comecei a ler seu texto, e putz! você escreve bem demais! (:
to meio compreguiça de terminar, mas isso daqui a pouco passa e termino de ler ^^^

brigada pelo comentário no meu blog, e ainda mais por saber que você é um dos meus nesse assunto xP

:**

Anônimo disse...

Passando pra te desejar uma semana tranquila, beijo*.*

Nah Ferreira disse...

vermelhovivo ou verdevelho

são as cores "feeling" pra mim.
gostei do texto e volto sempre.

beijos
=*

Mago disse...

Realmente as pessoas confundem as coisas, acreditam que aquele qeu se expõ de forma até descarada é competente. o que na maioria das vezes é um engano grande, eu era um timido, hoje não o sou mais, não me pergunte como venci tal processo, nem mesmo sei quando isso se deu. Um grande abraço e sim há esperança de unir talento ao seu modo de ser e conseguir apaecer ainda que de forma discreta. Um grande abraço do Mago!

Edgar Borges disse...

putz, perdi todo o o meu comentário...droga...
resumindo: exponha-se de vez em quando. é bom para a carreira.
abraços.

Anônimo disse...

Boa noite, Maucir!

Vc sumiu, mas mesmo assim gostaria de te pedir um favor, anota o meu novo blog:

http://umlugargostoso.blogspot.com

Conto com você!

Obrigada, beijos*.*

Anônimo disse...

Eu qua jamais tive pretensões nas empresas onde trabalhei, nem quero muita responsabilidade corporativa. Um dia, quando for pedagogo, estarei melhor realizado.