Certa feita acolhi dois rapazotes distribuidores de jornais em meu automóvel.A carona - como se denomina esta prática - deu-se de forma bastante peculiar, até mesmo cômica (se narrada de outro enfoque), e teve ápice no momento em que cessaram-se as formalidades e falas de cordialidade corriqueiras - tais quais comentários sobre o tempo, futebol regional, e beldades à rua -, e os rapazotes passaram a conversar entre sí sobre o que seria feito após o termino do período em que eles estariam naquele veículo em trânsito para um lugar já determinado.
Treze anos, no máximo. Uma dupla de garotinhos que poderiam estar pedindo esmolas em sinaleiras, nos centros turisticos, poderiam até estar a serviço do tráfico. Mas não, estavam alí, em um pleno domingo ensolarado numa cidade litorânea, com toda aquela endo-cultura de ir-à-praia-aos-domingos.Questionados sobre onde iriam para finalizar a cota de jornais a serem distribuidos naquele domingo, deu-se a afirmação que encerra este raciocínio sobre jovens que emocionam um coração ávido por boas perspectivas do futuro. Estavam preocupados com salteadores, afinal, porque deveriam trabalhar todo o domingo sob sol escaldante para dar toda sua reserva monetária para alguém que lhes usurparia esta apenas por deter o recurso natural força ou intimidação. Sim, estavam com medo de ladrões.Foi lindo ver que aqueles dois, ainda que tenham sido criados em suburbios, com educação formal precária, saúde precária, situação política desgraçada, mizéria, e tudo mais, tenham tido algo que de certo mudará suas vidas. Algo que provavelmente ensinou-se em casa, e que foi levado diretamente até aquele domingo onde as pipas, arraias, bolas e gudes ficaram dentro do armário, e eles preocuparam-se em como cumprir de forma mais rápida e eficaz a tarefa que lhes foi delegada.
Enfim, um domingo feliz deu-se quando cogitei a possibilidade deste mundo ainda ter uma saída.
7 comentários:
nós decidimos o q fazer com nossas vidas. mesmo qndo td indica q vamos ter um futuro horrivel, podemos tentar mudar...
Mau, se existem pessoas como vc, eu ainda acredito numa saída pro mundo...
É, esse dia foi emocionante. Não esquecerei do seu gesto. E acho que eles tambem nao esquecerão.
Desculpa, Maucir, mas tenho que discordar. Crianças nessa idade têm mesmo é que ser acarinhadas, brincar nas horas vagas e estudar. A própria lei proíbe que elas trabalhem. Entendo o lado bom que você vê na coisa, mas o ideal é que tivessem adultos realizando o trabalho que elas realizam e lhes dessem o mínimo de conforto e proteção.
Palavras do professor Marcos, o homem do esculacho e da simpatia.
Não peça perdão por discordar, professor... Afinal, na era da palmatória foi preciso uma filosofia totalmente inversa, igualmente errada, para que se chegasse à um "equilíbrio".
tá,tudo bem. mas os guris tinham mesmo era que estar num domingo de sol, brincando e não trabalhando.
o lance de trabalhar na rua é que vc pega manha de rua logo, logo, e pode acabar sendo engolido pela maldade. tem que ter cabeça e família cuidando para não resvalar. abraços.
Eu sempre acreditei nas saídas que o mundo tem. E até tenho três episódios correlacionados a este, que aconteceu comigo, pelo menos indiretamente. talvez eu conte no por Todos Os lados.
Bom... por conta de minha cirurgia, dia 03/03, vou estar no mais completo e repousante ócio por umas duas semanas ao menos. até lá, pareça e confira mais uma republicação e/ou um novo texto no site Catanduva na Rede!
ótimo! Parabens
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